Líbia

Mais de 40 mil migrantes repatriados a partir da Líbia desde 2015

Só em 2018, regressaram cerca de 17.500 migrantes em situação irregular, oriundos de 32 países de África e da Ásia, regressaram voluntariamente para os respetivos países de origem.

A Líbia tornou-se o principal ponto de partida em direção à Europa depois do encerramento da rota dos Balcãs e do Mar Egeu

SPANISH DEFENSE MINISTRY / HANDOUT/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Mais de 40 mil migrantes foram repatriados a partir da Líbia para os respetivos países de origem desde 2015, segundo dados divulgados esta segunda-feira pela Organização Internacional das Migrações (OIM), que gere um programa de regressos voluntários naquele país.

Os dados, citados esta segunda-feira pelos ‘media’ locais, também atualizam os números relativos ao ano passado, avançando que cerca de 17.500 migrantes em situação irregular, oriundos de 32 países de África e da Ásia, regressaram voluntariamente para os respetivos países de origem, ao abrigo do programa da OIM.

No início do mês de fevereiro, a organização liderada pelo ex-ministro português António Vitorino informava que, em 2018, um total de 16.753 migrantes em situação irregular no território líbio tinham sido repatriados.

Os dados da OIM não incluem os migrantes apoiados pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

As operações de repatriamento voluntário a partir da Líbia, país que tem sido passagem para milhares de migrantes que tentam alcançar a Europa, têm sido financiadas com fundos da União Europeia (UE) e da OIM.

Estes migrantes são essencialmente pessoas que tentaram, sem sucesso e muitos a correr risco de vida, chegar à Europa através da travessia do Mediterrâneo.

Segundo dados da OIM, mais de 113 mil migrantes conseguiram cruzar o Mediterrâneo em 2018 e alcançar as costas europeias através das três principais rotas de migração irregular, que têm como pontos de chegada Itália, Espanha e Grécia.

A Líbia, país do norte de África, está imersa num caos político e securitário desde a queda do regime de Muammar Kadhafi em 2011, cenário que tem beneficiado as redes de tráfico ilegal de migrantes. No tempo do ditador líbio, milhares de migrantes atravessavam as fronteiras do sul da Líbia, com cinco mil km, especialmente para tentar atravessar o mar Mediterrâneo para a Europa.

Mas desde 2011, a situação piorou, com as redes de tráfico ilegal a exigirem grandes somas de dinheiro para transportarem, em condições bastante precárias, milhares de pessoas, a maioria oriunda dos continentes africano e asiático, para Itália, a cerca de 300 quilómetros das costas líbias.

A Líbia tornou-se então o principal ponto de partida em direção à Europa depois do encerramento da rota dos Balcãs e do Mar Egeu. Muitos migrantes, homens, mulheres ou crianças, têm sido intercetados ou resgatados em alto mar ao longo dos últimos anos.

Muitos deles encontram-se em centros de detenção na Líbia, vivendo em condições muito difíceis e enfrentando abusos graves. A opção de repatriamento surge como uma solução.

Várias organizações internacionais, incluindo o ACNUR, condenam regularmente os maus tratos a que são submetidos os migrantes na Líbia.

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