Maior derrota caseira de sempre na Europa, eliminação da Liga dos Campeões logo nos oitavos, falta de objetivos desportivos no início de março, discussão acesa entre presidente e capitão, pedidos de demissão do líder do clube enquanto já existem manobras de bastidores no sentido de encontrar uma alternativa viável às eleições, lesão do jogador em melhor momento (Vinicius). A lista podia não ficar por aqui em relação a tudo o que se passou com o Real Madrid na presente semana. As coisas já não andavam muito famosas mas a humilhação no Santiago Bernabéu frente ao Ajax, depois de dois desaires consecutivos em casa com o rival Barcelona, foi a última gota num copo que há muito transbordava. Mas ainda houve mais alguns episódios.

Isco, um nome que antes se pedia para ser titular mas que agora, com a chegada de Solari, nem conta em termos de convocados, voltou a ficar de fora da lista dos merengues para o encontro frente ao Valladolid. Até aqui, nada de novo. Mas houve caso: afinal, o jogador está sob a alçada disciplinar do clube, a pedido do próprio treinador. Como explica o As, a má relação não é de agora e o argentino não perdoa a atitude que o internacional espanhol tem demonstrado com as sucessivas passagens pelo banco e pela bancada, tal como aconteceu diante dos holandeses onde nem sequer se juntou à equipa para ir de autocarro para o Bernabéu depois de saber que ficaria de fora dos 18. Este domingo, mesmo com as ausências de Vinicius, Lucas Vázquez, Gareth Bale ou Mariano, Isco voltou a não seguir viagem. E não parece que nada vá mudar até ao final da época.

No último treino antes do jogo, mais um episódio de tensão e logo entre o capitão… e o subcapitão: num dos habituais jogos que concluem a sessão, a equipa de Marcelo ganhou contra a formação de Sergio Ramos e o brasileiro terá abusado dos festejos pelo resultado, algo que levou a que o espanhol lhe dissesse que tinha faltado ao respeito ao plantel e ao treinador, como escreve a Marca. Os próprios companheiros terão tentado acalmar um pouco os ânimos mas, no final, lá ficaram seladas as pazes entre os dois jogadores mais antigos do plantel e que são representados pelo mesmo agente: René Ramos, irmão de Sergio.

Marcelo e Sergio Ramos tiveram um desentendimento no último treino antes do jogo com o Valladolid (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Solari, que chegou à conferência de antevisão do jogo com o Valladolid com quase uma hora e meia de atraso (devido a uma conversa no balneário com o plantel, mais uma), admitiu que alguns jogadores estão com um rendimento abaixo do que deveria aconteceu num clube como o Real Madrid, acrescentando mesmo que já disse a cada um deles isso mesmo. Depois da agitação que marcou o quotidiano do clube nos últimos dias, os merengues procuravam a luz que permitisse voltar às vitórias e lutar pelo segundo lugar do Atl. Madrid (que já vencera esta ronda) mas parecia que nada corria mesmo de feição e até o aquecimento teve problemas porque os dois conjuntos tiveram de cumprir esse período às escuras, por falta de eletricidade.

Com Ramos ainda de fora por castigo e também Carvajal lesionado, Solari mexeu na equipa de forma conservadora, lançando Odriozola na lateral direita e a dupla Dani Ceballos-Asensio no apoio a Benzema no ataque. No banco continuaram Marcelo e Brahim Díaz, jovem contratado ao Manchester City como grande aposta mas que não passou ainda de um par de minutos em campo. Em termos globais, e sobretudo na primeira parte, pouco ou nada funcionou. Ainda assim, um pouco do nada, o Valladolid não foi além de um empate ao intervalo: Ruben Alcáraz falhou um penálti (12′), Guardiola viu dois remates certeiros anulados pelo VAR (15′ e 19′), Anuar Tuhami inaugurou finalmente a contar o marcador (29′) mas, apenas cinco minutos depois, um erro na abordagem do guarda-redes Jordi Masip permitiu que Varane fizesse o 1-1 com que se chegou ao descanso.

No segundo tempo, e depois de mais duas oportunidades flagrantes de golo desperdiçadas pelo conjunto de Sergio González, dois golos de Benzema em menos de dez minutos acabaram por confirmar o triunfo dos merengues: primeiro na marcação de uma grande penalidade por falta sobre Odriozola (51′), depois de cabeça na sequência de um canto (59′). Ainda assim, e quando o conjunto da capital espanhola tinha tudo para controlar, Guardiola ainda acertou no poste (77′) e Casemiro deixou a equipa reduzida a dez, num lance caricato onde viu o segundo amarelo por estar à frente da bola num livre para o Valladolid, antes de Modric chegar à goleada com um trabalho individual dentro da área com remate cruzado (85′). A dois minutos do fim, mais um momento “simbólico”: Marcelo entrou e Benzema foi dar a braçadeira ao lateral brasileiro.