Um português que jogue na mesma equipa do que Cristiano Ronaldo arrisca-se sempre a ser o “outro” português. Sobretudo na altura dos jogos decisivos, aqueles que o avançado trata por “tu” e aguarda de forma paciente ao longo das últimas épocas para fazer aquilo que poucos conseguem com tamanha fiabilidade: decidir. No entanto, e à semelhança do que tem acontecido em grande parte da temporada, João Cancelo voltou a ser um dos melhores da Juventus, começando como lateral direito e acabando na esquerda quando já reinava em campo uma espécie de anarquia tática que tinha partido o encontro na ponta final.

Com Alex Sandro castigado, De Sciglio lesionado e Spinazzola a ter de sair mais cedo, o internacional português manteve-se firme nas laterais defensivas e teve mesmo um papel preponderante no golo que igualou as contas da eliminatória, ao fazer o cruzamento na direita que Ronaldo cabeceou sem hipóteses para Oblak logo a abrir a segunda parte. No final, por dois gestos também eles só ao alcance dos melhores, Cancelo recebeu tantos elogios pelas atitudes do que pela exibição.

Numa primeira instância, e quando os jogadores da Juventus ainda celebravam a vitória no relvado com os espetadores que encheram o recinto, Cancelo quis guardar a camisola como recordação da noite mágica da Vecchia Signora mas acabou por ir ter com os adeptos e deu a um deles as chuteiras com que tinha feito o encontro contra o Atl. Madrid. Pouco depois, em declarações à Sky Itália, o português enalteceu a prestação coletiva da equipa que permitiu a obtenção dos quartos da Champions, destacou a exibição de sonho de Cristiano Ronaldo e teve uma dedicatória especial para o triunfo diante dos colchoneros.

“O primeiro golo e toda a noite teve um toque português mas o mais importante foi obviamente a vitória da equipa. Trabalhámos muito bem durante a semana e merecemos esta vitória. Tivemos também um Ronaldo incrível. Agora temos de pensar no jogo de domingo, que será importante [n.d.r. fora, com o Génova]. Da minha parte quero sempre melhorar. Hoje joguei bem, tal como os meus companheiros. Estou feliz pela vitória e pelo apuramento”, começou por referir o lateral.

João Cancelo ganhou quase todos os duelos frente a Saúl Ñíguez antes de passar para o lado esquerdo da defesa (Tullio M. Puglia/Getty Images)

“Quero dedicar esta vitória ao pai do João Mário, que faleceu ontem. É um grande amigo meu na Seleção Nacional e que foi meu colega no Inter Milão. A rivalidade no campo existe mas a amizade fica sempre e o João é um amigo. Esta vitória é para ele e para a minha avó, que morreu na semana passada”, destacou João Cancelo.