Professores

Professores ameaçam com greve às avaliações a partir de 6 de junho

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Mário Nogueira ameaçou com uma greve às avaliações caso, em Parlamento, os professores não recuperem a totalidade dos anos de serviço congelados. Manifestação terminou no Terreiro do Paço.

A última vez que os professores fizeram uma manifestação nacional no Terreiro do Paço foi em 2008. Na altura, vivia-se o Governo de José Sócrates e a ministra da Educação era Maria de Lurdes Rodrigues

LUSA

O secretário geral da Fenprof, Mário Nogueira, ameaçou com uma greve às avaliações a partir de 6 de junho caso o Parlamento não corrija o diploma — ou “decreto de roubo”, nas suas palavras — que prevê a recuperação de apenas dois anos, nove meses e 18 dias de serviço. Este sábado foi marcado por uma manifestação que partiu do Marquês de Pombal, rumando à Avenida da Liberdade, num percurso que passou de seguida pelos Restauradores e pelo Rossio e terminou no Terreiro do Paço.

A liderar a manifestação esteve um boneco cabeçudo que pretende representar o primeiro-ministro António Costa, que traz ao peito o cartaz “Roubo 6,5 anos”, o tempo de serviço congelado a esses profissionais.

Na manifestação, convocada por dez estruturas sindicais do setor, estão presentes a líder do Bloco de Esquerda Catarina Martins, o líder do PCP Jerónimo de Sousa e o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, além de manifestantes e dirigentes sindicais como Mário Nogueira.

Já durante a manifestação, Mário Nogueira falou aos jornalistas e televisões e pôs alguma água na fervura quanto à possibilidade da manifestação igualar a adesão de 2008, a última grande manifestação nacional que levou professores ao Terreiro do Paço em protesto: “Hoje há menos 50 mil professores“, alertou o dirigente sindical da Fenprof. Entretanto, já no Terreiro do Paço, diz que vai estar no Parlamento a 16 de abril, quando a apreciação parlamentar sobre tempo de serviço de professores for debatida

A manifestação foi convocada no âmbito da luta dos professores pela contabilização e recuperação total do tempo de serviço congelado nos últimos anos, que impediu aumentos salariais. O local da manifestação, o Terreiro do Paço, “é como o algodão, não deixa enganar” relativamente à adesão, tinha apontado ainda antes da marcha o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

Ser no Terreiro do Paço é uma responsabilidade muito grande e quisemos assumi-la. Não vamos para o Terreiro do Paço desde 2008. É um espaço enorme. Evidentemente que poderíamos ir para um espaço mais pequeno, para a Assembleia da República, que é mais apertado, mas quisemos mostrar ao Governo, ao poder e aos portugueses que a indignação dos professores hoje é igual à que tiveram quando lhes tentaram dar cabo da carreira. Portanto, o Terreiro do Paço é como o algodão, não deixa enganar. Ou está cheio ou não está cheio”, disse o sindicalista à agência Lusa.

Mário Nogueira desafiou ainda os partidos a compreenderem “a indignação e a justiça da reivindicação dos professores”, que exigem que lhes seja contado “o tempo que trabalharam”. Porém, “também há um desafio aos professores”, acrescentou o dirigente sindical: “encher o Terreiro do Paço”. Não acontencendo, a mensagem que passaria seria “de fragilidade, e isso pode ser muito complicado”.

Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof (@ PAULO NOVAIS / LUSA)

Centenas de autocarros e nova manifestação em outubro

Os sindicatos não se comprometem com números, mas queriam uma manifestação a fazer lembrar aquela em que contestaram, em 2008, as mudanças na carreira propostas pela então ministra, também socialista, Maria de Lurdes Rodrigues. Em Lisboa eram esperados centenas de autocarros vindos de todo o país. Não há, para já, qualquer informação sobre o número de manifestantes presentes.

Além desta manifestação nacional, os sindicatos dos professores afirmaram ainda estar dispostos a nova manifestação nacional a 05 de outubro, dia Mundial do Professor que este ano coincide com a véspera das eleições legislativas.

Os professores deverão também marcar presença na Assembleia da República a 16 de abril, data da apreciação parlamentar anunciada já por BE, PCP e PSD ao decreto do Governo que recupera dois anos, nove meses e 18 dias, uma solução unilateral do executivo com base em argumentos de sustentabilidade financeira e tomada depois de falhadas as negociações com os sindicatos. A solução foi promulgada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Do resultado da apreciação parlamentar ficam pendentes novas ações de protesto no 3.º período escolar e período de exames e avaliações: convocação de nova manifestação; greves de um dia em diversas semanas; greve coincidente com o período de avaliações a partir de 6 de junho; greves coincidentes com dias de exame e provas finais; greves por regiões ao longo de diversas semanas podem avançar se os partidos não se entenderem numa solução que vá ao encontro das reivindicações dos professores, podendo mesmo a luta estender-se ao arranque do próximo ano letivo.

Espera-se uma manifestação com uma adesão semelhante a grandes manifestações do passado, como a de 2008, no Terreiro do Paço. (@ LUSA)

“Se todos os partidos forem coerentes com a afirmação de princípio que têm feito e o PS com aquilo que tem sido a sua prática nas regiões [autónomas] até poderá ser encontrada uma solução por unanimidade. Era bom, era o consenso absoluto. Se não for, a luta vai estar aí”, disse Mário Nogueira.

O secretário-geral da Fenprof, que tem falado em nome da plataforma sindical, disse ainda que seria “muito agradável” ver partidos e centrais sindicais na rua, ao lado dos professores, mesmo não tendo sido feito nenhum convite nesse sentido.

A rua é aberta e era muito agradável que todos os partidos estivessem na rua, não necessariamente a desfilar, mas a pelo menos a manifestar a sua solidariedade com os professores e estarem ali presentes e serem visíveis. Era muito bom que as centrais sindicais também o fizessem”.

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João Pires da Cruz
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