Uma investigação de quatro meses à gestão financeira e dos recursos humanos da GNR identificou situações de falta de transparência, militares que não têm competências para as funções administrativas e contratações suspeitas, noticiou o Diário de Notícias. A auditoria foi realizada pela Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) a pedido do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, para avaliar as medidas de descentralização desde 2007.

Depois da auditoria à força militar, que gere 870 milhões de euros por ano e mais de 23 mil pessoas, a IGAI recomenda que sejam feitas outras cinco auditorias especializadas nas áreas mais críticas.

Entre as irregularidades nos procedimentos, os inspetores terão identificado, por exemplo: registos incorretos de saldos, erros na classificação de despesas e falta de documentos para as justificar, recurso indevido a ajustes diretos, falta de controlo das situações de acumulação de funções e da atribuição de suplementos e ajudas de custo ou falta de transparência na gestão das viaturas apreendidas.

Parte destas irregularidades podem dever-se à falta de recursos humanos com competências técnicas e administrativas, terá concluído a auditoria. No Comando de Administração de Recursos Internos apenas 30% dos 111 oficiais tem formação específica em administração militar e material, revela o Diário de Notícias. Entre sargentos e guardas, a percentagem de pessoas com este tipo de competências é ainda menor.