Ambiente

Regantes de Campilhas e Alto Sado no Alentejo preveem “ano de calamidade”

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Com os níveis "tão baixos" nas bacias hidrográficas e "mais de 3.700 hectares sem água para cultivo", na campanha primavera/verão, os agricultores anteveem "o ano mais difícil de todos".

As barragens de Campilhas e Fonte Serne, no concelho de Santiago do Cacém apresentam um armazenamento de água de 16,3% e 33,8%, respetivamente

EDUARDO COSTA/LUSA

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  • Agência Lusa
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A Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado (ARBCAS) prevê “um ano de calamidade” na zona, em termos agrícolas, devido à falta de água em albufeiras de Santiago do Cacém e Ourique, no Alentejo.

As barragens de Campilhas e Fonte Serne, no concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, apresentam um armazenamento de água de 16,3% e 33,8%, respetivamente, enquanto a de Monte da Rocha, em Ourique, no distrito de Beja, o armazenamento está nos 11,8 por cento.

Não temos qualquer reserva de água nas barragens de Campilhas, Fonte Serne e Monte da Rocha e apenas contamos com água proveniente de Alqueva, que vai regar uma pequena parte”, afirmou esta segunda-feira à agência Lusa o vice-presidente da ARBCAS, Ilídio Martins.

Com os níveis “tão baixos” nas bacias hidrográficas e “mais de 3.700 hectares sem água para cultivo”, na campanha primavera/verão, os agricultores anteveem “o ano mais difícil de todos”.

Este vai ser mais um ano difícil, talvez o ano mais difícil de todos, porque temos água para regar 2.800 hectares, mas ficam 3.700 hectares de fora, sem qualquer acesso à água. Portanto, se não houver uma alteração de última hora, como no ano passado, estamos a ver que vai ser mesmo um ano de calamidade para muitos agricultores”, alertou.

A chuva que caiu em março do ano passado permitiu “fazer uma campanha a 90 por cento” e apenas “uma pequena área” dos dois aproveitamentos hidroagrícolas de Campilhas e Fonte Serne, que fornecem o Vale de Campilhas e o Vale Diogo, no concelho de Santiago do Cacém, no litoral alentejano, “foi afetada”.

“Este ano não é possível fazer qualquer área nestes dois aproveitamentos, não havendo perspetiva de qualquer tipo de produção, porque a única área que temos garantida, se não houver imprevistos no fornecimento de água da EDIA [Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva] será a zona do Alto Sado”, acrescentou.

A albufeira do Monte da Rocha, que serve o aproveitamento agrícola do Alto Sado, nos concelhos de Santiago do Cacém e Ourique, “vai servir apenas 200 hectares de culturas permanentes e o abastecimento público”.

“A restante área do Alto Sado, servida pela ligação a Alqueva, permitirá regar 2.800 hectares para as culturas de milho, olival e outras”, disse.

Com um total de 6.500 hectares de área de cultivo, o responsável da associação de regantes disse manter “a esperança de que venha a ocorrer alguma precipitação” e, assim, alterar o atual cenário de seca, “que poderá comprometer as culturas de tomate e de arroz”.

Esta semana, adiantou, a ARBCAS vai elaborar o plano de utilização da água referente à campanha primavera/verão para apresentar em assembleia geral, onde serão aprovadas as dotações e a sua distribuição por culturas e aproveitamentos, assim como os custos de cada operação.

“Ainda não decidimos que culturas vão ser feitas, ainda vamos atribuir dotações. Há um tarifário e as pessoas vão ser, de certa forma, livres de o fazer naquela zona onde existe água, mas atendendo ao tarifário não sei se haverá cultura do arroz”, explicou.

“Nas zonas “onde não há água, não faremos nada. Naquelas em que há água ainda estamos a analisar a melhor forma de distribuição”, referiu.

“Vamos começar a fazer o nosso trabalho que é gerir a pouca água que temos e vamos alertar e pedir ajuda ao Ministério [da Agricultura] para ter uma atenção com os nossos agricultores e ver o que se pode fazer para que não sejam desativadas as explorações agrícolas”.

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