Oito meses após o fecho do canídromo de Macau terminou esta terça-feira, com “final feliz”, o realojamento dos 532 galgos ali abandonados: 517 foram salvos e 15 morreram, salientou o presidente da Sociedade de Animais de Macau (Anima).

“Ao final do dia de hoje [terça-feira, 26], terão sido realojados 517 galgos, 15 morreram. (…) Foi uma operação super rápida para este tamanho”, saudou Albano Martins, antes de assistir à saída dos últimos galgos do canídromo, cinco dos quais partiram para os Estados Unidos.

A incerteza arrastava-se desde julho do ano passado, quando o canídromo encerrou portas e a Companhia de Corridas de Galgos de Macau (Yat Yuen), que explorava o espaço, foi acusada pelas autoridades de abandonar 532 cães.

Em setembro, e depois de a Yat Yuen não ter apresentado um plano de realojamento no prazo previsto, algo que lhe valeu, meses depois, uma multa de 2,7 milhões de euros, a Anima tomou conta do espaço e teve “carta branca” para “gerir todo o processo”.

Não foi fácil, mas tínhamos uma rede montada internacional e essa rede internacional ajudou-nos imenso, nós apenas tivemos que liderar o processo localmente, com os nossos parceiros do Instituto para os Assuntos Municipais [IAM] e da Yat Yuen”, sublinhou.

O processo de realojamento e adoção, que teve repercussão global, contou com a ajuda de 100 organizações internacionais, que há muito condenavam a crueldade e a taxa de mortalidade a que estavam sujeitos os cães.

Ao mesmo tempo, Albano Martins admitiu que o processo “foi rápido” porque a Yat Yuen colaborou: “Vamos esquecer a guerra do passado, a Yat Yuen garantiu as viagens” e todos os custos operacionais, depois “foi só uma questão de planificação”.

Angela Leong, então administradora da Yat Yuen, que pertencia à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (SJM), fundada pelo magnata do jogo Stanley Ho, chegou a prometer um Centro Internacional de Realojamento de galgos “único no mundo”, mas a ideia caiu por terra pouco depois.

“Foi uma vitória da Anima, que passou a ser [uma organização] considerada a nível mundial. (…) levámos oito anos para pôr esta pista fora, e apenas seis meses para realojar [os galgos] todos”, frisou o responsável.

Em 2016, o Governo de Macau deu dois anos ao canídromo da cidade para mudar de localização e melhorar as condições dos cães usados nas corridas ou, em última instância, encerrar a pista, considerada por organizações internacionais uma das piores do mundo.

Por seu lado, o presidente da IAM, José Tavares, mostrou-se satisfeito e considerou este desfecho “o melhor possível”, salientando que “500 e tal cães adotados em meio ano é obra”. “O objetivo está atingido”, disse.

“A Anima esforçou-se, em pouco meses resolveu [o problema] e isso é obra. São 500 e tal cães adotados em meio ano, isso eu acho que nunca aconteceu em lado nenhum”, afirmou Tavares, em declarações aos jornalistas no antigo canídromo.

O IAM irá devolver agora os espaços e as instalações aos Serviços de Finanças de Macau. No entanto, o terreno já está reservado para fins educativos, prevendo-se que o espaço seja ocupado por quatro escolas.

Ao todo, a Yat Yuen suportou os custos, no montante de 70 milhões de patacas [cerca de 7,6 milhões de euros] ao longo do processo, durante o qual Albano Martins chegou a apresentar a demissão.

Entre os galgos, 307 serão enviados para os EUA, 60 para Itália, 70 para o Reino Unido, 15 para França, cinco para Alemanha e 26 para Hong Kong, detalhou o IAM. A Anima adotou 23 galgos, 19 dos quais vão ficar com famílias de acolhimento em Macau e posteriormente enviados para a Austrália.