Embalado pelo facto de estar à frente de uma marca de superdesportivos que registou, em 2018, o seu 8º ano consecutivo de crescimento nas vendas, com 5.750 unidades entregues a clientes”, o CEO da Lamborghini não se tem inibido de partilhar com os meios de comunicação social a sua visão do futuro. Quer em relação à marca que dirige, em particular, quer no que toca às tendências da indústria automóvel, em geral.

Em resultado dessa “abertura”, Stefano Domenicali primeiro confessou à Autocar que a Lamborghini está a planear um quarto modelo para completar a sua gama. O projecto ainda não terá recebido luz verde, mas sabe-se já que está na calha um grand tourer com uma configuração 2+2, para se juntar à família actualmente composta pelo Urus, Aventador e Huracán.

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E, agora, o responsável máximo da marca italiana do Grupo Volkswagen explicou à Motor Trend por que razão os clientes mais fiéis da marca devem ir-se habituando à ideia de que não há, nem haverá, uma caixa manual ao serviço dos possantes V8, V10 e V12 que se encontram sob o capot. E a explicação é muito simples: se a Lamborghini oferecesse essa alternativa, estaria a abrir caminho para um negócio ruinoso.

Segundo Domenicali, o Aventador e o Huracán não oferecerem qualquer versão com caixa manual, porque isso acarretaria pesados custos de desenvolvimento. O que significa que, por um lado, não há de momento no banco de órgãos do Grupo Volkswagen nenhuma transmissão manual à altura das aspirações da Lamborghini e, por outro, que o conglomerado germânico não estará na disposição de fazer tamanho investimento.

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De acordo com as declarações do CEO da Lamborghini à Motor Trend, as contas são fáceis de fazer: mesmo que a marca fizesse uma edição limitada do Aventador com apenas 200 exemplares, todos eles equipados com caixa manual e cobrasse por esse “extra” mais 25 mil dólares (cerca de 22.200€) sobre o preço da unidade, o fabricante encaixaria um adicional de 5 milhões de dólares (cerca de 4,4 milhões de euros). Porém, ainda assim, estaria a expor-se ao prejuízo, na medida em que converter a transmissão automática de sete velocidades numa caixa manual, ou conceber uma transmissão manual de raiz, custaria largamente mais que esses tais 5 milhões.

Quanto ao Huracán, a justificação apresentada por Domenicali é outra, embora vá dar ao mesmo. Sendo o desportivo italiano baseado no Audi R8, tal como o seu antecessor (Gallardo), a Lamborghini poderia dar uso à caixa manual da marca dos quatro anéis. Contudo, isso implicaria reactivar a linha de produção para fabricar poucas unidades. E esse é um luxo ao qual a Lamborghini não se pode dar, por mais que os clientes queiram (e ela própria também não se importasse).