Uma rede escolar da Islândia promove a separação entre meninos e meninas. O currículo de dissociação de género mantém as crianças separadas por género durante a maior parte do dia com o objetivo de enfrentar as fraquezas de cada um dos sexos, compensando-as. As vantagens deste tipo de modelos são questionáveis.

O sistema Hjalli, assim é chamado este modelo educativo feminista, foi implementado no jardim de infância Laufásborg, no centro de Reiquiavique. Margrét Pála Ólafsdóttir, “feminista convicta”, segundo a descrição do El País, é a criadora do conceito e fundadora de 17 jardins de infância e escolas básicas islandesas que seguem este sistema de separação de sexos.

Nestas escolas é normal as meninas estarem a praticar atividades mais físicas e os meninos a aprenderem a comunicar e a falar sobre os seus sentimentos. Ao El País, Margrét Pála Ólafsdóttir afirma o objetivo de “empoderar” as raparigas, para que acreditem em si mesmas, sejam fortes e façam ouvir a própria voz. Em relação aos rapazes, a defensora do sistema Hjalli refere que quando saírem das escolas, os meninos vão ser os novos feministas da Islândia, considerado há nove anos o país mais igualitário do mundo pelo Fórum Económico Mundial.

Pála Ólafsdóttir defende que os sistemas de ensino comuns fazem com que “as meninas, mais adiantadas, recebam menos atenção do que os meninos, mais atrasados” no desenvolvimento.

“Rotina, ordem e respeito” são os três pilares deste modelo educativo islandês, que apesar de promover a diferenciação, terá resultados positivos no que respeita às regras do convívio escolar e prevenção de comportamentos violentos. Ólafsdóttir garante que o treino das capacidades sociais e a promoção de um espírito de colaboração faz com que nas escolas Hjalli não haja assédio escolar e, de acordo com a fundadora do sistema, “uma investigação em Reiquiavique com crianças de nove anos encontrou bullying em todas as escolas, exceto na nossa”.

Segundo o El País, além da vertente baseada em currículos de ensino diferentes para rapazes e raparigas, o modelo islandês impulsiona uma cultura de responsabilização e liberdade. As crianças são estimuladas a tomarem as próprias decisões de um modo democrático, sendo convidadas da parte da manhã, depois de tirarem os sapatos como é característico das escolas islandesas e tomarem o pequeno almoço, a optarem pelas atividades que pretendem fazer ao longo dia.

Hólmfrídur Vilhjálmsdóttir, professora há cinco anos, colocou o filho no jardim de infância Laufásborg em Reiquiavique e não tem dúvidas de que as mudanças são notórias, ao ponto de ela própria ter começado a trabalhar na escola.

A diversão é outro dos aspetos valorizados no sistema Hjalli. Nestas escolas as crianças pulam de um lado para o outro, saltam colchões, e os mais pequenos começam aos dois anos de idade a enfiar as mãos na terra do jardim. Contudo, também há lugar para atividades que requerem mais atenção e concentração, como o xadrez ou a aprendizagem de inglês.

Vilhjálmsdóttir explicou ao El País que no sistema Hjalli não há livros nem brinquedos convencionais, mas outros materiais, que “podem ser usados de muitas formas para estimular a imaginação e criatividade” das crianças. Tudo é fabricado na escola, incluindo as próprias roupas dos alunos, com máquinas de costura adaptadas. O objetivo é transmitir às crianças que não é preciso comprar tudo.

O sistema islandês Hjalli tem já 30 anos e foi destacado com a maior distinção do país pela inovação educacional. Considerado polémico no início, agora a maioria dos estabelecimentos que adota este modelo educacional integra a rede municipal de ensino da Islândia. Ainda assim, das crianças islandesas na faixa dos 18 meses aos 9 anos de idade, apenas 8%, cerca de mil, frequentam um centro Hjalli.

O El País avança que um amplo estudo de 2014 concluiu que educar separadamente meninos e meninas não traz vantagens. A análise alargada examinou 184 estudos com mais de um milhão e meio de alunos em 21 países. Já outro estudo da Universidade de Reiquiavique encomendado pela fundadora do sistema Hjalli, Margrét Pála Ólafsdóttir, indica que os ex-alunos destas escolas demonstraram noções superiores de igualdade, bem como melhores resultados em islandês, matemática, inglês e dinamarquês, além de maiores capacidade manuais e sociais.