Turquia

Democracia vai chegar à Turquia, diz o ator e realizador Zirek

Segundo Zirek, os turcos querem uma mudança face ao autoritarismo do presidente Erdogan. Para o ator e realizador, as recentes eleições mostram que "começam a ser levantadas questões".

Zirek falou à margem do encontro "Resistências Pacíficas: o Valor da Liberdade", organizado pela Câmara Municipal de Almada

SEDAT SUNA/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O ator e realizador Zirek, um curdo da Turquia a viver no exílio, lamentou que o direito dos curdos “a existir” no país liderado por Recep Erdogan continue a ser negado, mas mostrou-se convicto que “a democracia vai chegar”.

Zirek, que falou à Lusa à margem do encontro “Resistências Pacíficas: o Valor da Liberdade”, organizado pela Câmara Municipal de Almada, notou que as recentes eleições locais turcas foram “um choque” para o Presidente Erdogan e que “começam a ser levantadas questões”.

Erdogan, Presidente da Turquia desde 28 de agosto de 2014 e anterior primeiro-ministro do país (entre 14 de março de 2003 e 2014), perdeu o controlo da capital Ancara para a oposição nas recentes eleições autárquicas, também vencedora nas principais cidades do país euroasiático, e continua a tentar invalidar o resultado em Istambul, também favorável aos opositores.

“[Erdogan] tem uma oposição muito forte desde há alguns anos na Turquia, sobretudo desde a tentativa de golpe de estado de 15 de julho de 2016 que, na realidade, serviu sobretudo Erdogan”, comentou o cineasta.

Para Zirek, os turcos querem uma mudança, face ao regime “autoritário de Erdogan” que “decide sobre tudo de ‘a’ a ‘z'”, mas mudar “não será fácil”.

Instado a comentar o genocídio arménio, cuja data é esta quarta-feira assinalada, evocando os massacres efetuados entre 1915 e 1917 no decurso do Império otomano, em plena I Guerra Mundial, Zirek disse que tentaram fazer o mesmo com os curdos, “mas não conseguiram, porque os curdos resistiram”.

O ator e realizador afirmou que a questão curda começou a ser mais conhecida depois da guerra na Síria, que mobilizou as atenções internacionais, mas salientou que os curdos continuam a viver uma situação “muito difícil”.

“Dizer [na Turquia] que sou curdo coloca problemas. O direito à nossa existência é proibido na Turquia”, frisou, apesar de acreditar que “um dia [a democracia] vai chegar à Turquia, e os curdos também vão sentir a democracia”.

Zirek, exilado em França desde o golpe de Estado militar de 1980, já conheceu várias tentativas de derrube de governo: no primeiro “era muito pequeno, no segundo tinha doze ou treze anos e o terceiro foi em 1980. “Foi nessa altura que me exilei”, contou. Seguiu então para França, com a sua companhia de teatro, residindo desde então em Paris.

“O cinema e o teatro são a minha resistência, mas continuo a crer na democracia. Como diríamos nós: “Insh Allah” (Oxalá)”, destacou.

Zirek realizou filmes como “Pari(s) d’Exil” (2013) e participou como ator em “Um homem chora” (2000) e “O caso Marcorelle” (2000).

No encontro organizado pela câmara de Almada, no âmbito das comemorações do 25 de abril, participaram ainda Eric Nepomuceno, o ativista luso-angolano Luaty Beirão, e a presidente da Letras Nómadas – Associação de Investigação e Dinamização das Comunidades Ciganas, Olga Mariano.

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