A NASA (agência espacial norte-americana) divulgou, esta terça-feira, aquilo que pode ser o primeiro registo de um sismo em Marte, mas admite que os cientistas ainda estão a analisar os registos para determinar a causa precisa do sinal. A trepidação, que parece ter vindo do interior do planeta, foi comparada com dois sons do exterior: o vento marciano e os movimentos do braço do robô que fez a deteção.

A sonda Mars InSight, da NASA, estava há 128 dias marcianos no planeta vermelho (menos de quatro meses terrestres) quando, no dia 6 de abril, o sismógrafo Seismic Experiment for Interior Structure (SEIS), destinado a medir a atividade sísmica interna, detetou algo que se distinguia das forças que atuam à superfície, como o vento. O vídeo divulgado pela NASA, mostra pelo menos três momentos distintos em poucos minutos: um vento marciano, um (possível) sismo marciano e o movimento do braço robótico da sonda.

O zumbido agora registado não é o único potencial sismo registado em Marte pelo instrumento SEIS. Foram registados outros três eventos — a 14 de março, 10 e 11 de abril —, mas foram ainda mais pequenos e de origem ainda mais ambígua, por isso a equipa de investigadores vai continuar a estudá-los até que possam chegar a uma conclusão.

Se é assim tão difícil detetar sismos em Marte, como se sabe que este registo pode ser de um? Desde as missões Apollo à Lua que a NASA regista barulhos de fundo e tem dados de sismos no satélite natural da Terra, de 1969 a 1977. O evento agora registado em Marte corresponde ao tipo de sismos registados na Lua, o que deixa os investigadores mais confiantes.

“Esperámos meses por um sinal como este. É tão emocionante ter finalmente prova de que Marte ainda é sismicamente ativo”, disse Philippe Lognonné, coordenador da equipa do SEIS no Instituto de Física do Globo de Paris (França), citado no comunicado da NASA.

Os eventos sísmicos em Marte, tal como acontece na Terra (e na Lua), vão permitir estudar o interior do planeta. A vantagem é que mesmo os sismos marcianos mais suaves podem ser registados. Uma trepidação como a de dia 6 de abril passaria completamente despercebida na Terra: não só existem muitos mais pequenos sismos, graças aos movimentos das placas tectónicas (que não existem em Marte), como o movimento dos oceanos e os eventos climáticos fazem muito mais barulho.