Trabalhadores da EGEAC — Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural vão concentrar-se em frente à sede da empresa do município de Lisboa no dia 22, exigindo o prosseguimento das negociações laborais com o sindicato.

Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) revelou esta quarta-feira que os funcionários da EGEAC, reunidos em plenário, aprovaram uma resolução a “exigir o respeito pelo direito de negociação, previsto no acordo de empresa, e a marcação imediata de uma reunião” para “dar seguimento ao processo negocial”.

Além de defenderem “um aumento intercalar dos salários, com base na proposta de 15%, com um mínimo de 150 euros por trabalhador”, e respostas às reivindicações entregues em abril, pedem esclarecimentos sobre “mudanças sucessivas na empresa e a retirada de autonomia financeira às direções de inúmeros equipamentos”, provocando “atrasos na gestão dos eventos e espaços culturais”.

Os trabalhadores assumiram ainda no plenário que se vão manter “mobilizados e decidir novas ações de protesto, incluindo o recurso à greve, caso não haja resposta“, e que vão enviar a resolução ao conselho de administração da EGEAC, à tutela, vereação e Assembleia Municipal de Lisboa.

“A empresa vive um dos momentos mais difíceis da sua história, e a administração continua sem dar resposta aos problemas que afetam o dia a dia de quem trabalha na EGEAC”, considera-se na resolução.

O sindicato iniciou um processo negocial em 14 de abril e aguarda, desde 11 de maio, a marcação de uma reunião para o fazer avançar, num “impasse justificado pela recusa da administração em reunir e negociar“, apesar de o “direito de negociação” estar “previsto no acordo de empresa”.

“Acrescem as mudanças sucessivas na empresa que estão a criar cada vez mais instabilidade e insegurança, sustentadas em decisões que parecem ser tomadas sem diálogo e sem ouvir quem cá trabalha”, apontaram.

Mais de meia centena de trabalhadores da EGEAC Lisboa Cultura manifestaram-se, em abril, frente aos Paços do Concelho, em dia de reunião camarária com a presença da administração da empresa, para exigir aumentos salariais acima da inflação.

“Estamos com esta luta há mais de cinco anos, o último aumento que esta empresa teve acima da inflação foi em 2018 e a partir daí nunca mais tivemos nenhum aumento, limitam-se apenas a reproduzir o aumento que é feito para a função pública”, explicou o dirigente do STML, Miguel Mendes, no dia de greve “por salários dignos, respeito pelo acordo de empresa e valorização da cultura pública”.