Os equipamentos de redundância do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal SA (SIRESP), com recurso a satélite, poderão ficar parados a partir dos próximos dias face a uma dívida de 11 milhões de euros do Estado à empresa que dura há quase um ano, avança o Jornal de Notícias. A informação chega a uma semana do aumento do nível de perigosidade dos fogos rurais e do estado de alerta da Proteção Civil, devido ao aumento das temperaturas.

Na dívida de 11 milhões estão incluídos nove milhões de euros investidos pela empresa em sistemas de redundância, oito rendas mensais completas de 200 mil euros cada e outras quatro rendas parciais relativas à manutenção das antenas e uso de satélite. Segundo o consórcio, se esta dívida não for paga, a empresa poderá entrar em insolvência em meados de setembro, ameaçando ainda desligar a ligação satélite por falta de dinheiro.

Os equipamentos de redundância do SIRESP consistem na ativação de estações-base através de satélite quando há falha de outra estação, permitindo assim garantir a transmissão das comunicações. Estes equipamentos nasceram de uma medida prevista em 2016 e proposta pela comissão técnica independente que avaliou os incêndios florestais de 2017.

O JN recorda ainda que Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, não explicou em 2018 como é que o investimento na redundância criada foi assegurado, uma vez que o Tribunal de Contas chumbou por duas vezes a possibilidade de ser o Estado a pagar esse custo devido à falta de documentação e de pareceres técnicos que o sustentam.