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O CDS vai apresentar um requerimento a pedir um conjunto de documentos e informações à Associação Coleção Berardo, dona da coleção de arte moderna do empresário com o mesmo nome. Atas de assembleias gerais, lista de associados e detentores de títulos de participação, relatórios de contas e alteração da estrutura de participações, após um aumento de capital, estão entre os documentos que serão pedidos, na sequência das respostas dadas por Joe Berardo na comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos na passada sexta-feira.

São ainda remetidos pedidos para a entrega de correspondência entre o Ministério da Cultura e a Associação Coleção Berardo, bem como com outras instituições ligadas ao empresário como a Fundação José Berardo e a Fundação de Arte Contemporânea, para além do próprio e do seu advogado, André Luiz Gomes.

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Joe Berardo deu como garantia de um financiamento de 350 milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos o penhor sobre os títulos da Associação Coleção Berardo, no quadro de um acordo de reestruturação das dívidas feito com o banco do Estado, o BCP e o BES. Mas sete anos depois e apesar do incumprimento de vários anos das obrigações deste acordo, nem a Caixa, nem os outros bancos conseguiram executar o penhor e chegar perto da coleção de arte moderna, apontada como o principal ativo de Joe Berardo,

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Em declarações ao Observador, a deputada do CDS, Cecília Meireles considera que ainda falta informação para os deputados perceberem como foi autorizado e gerido este crédito e como a Caixa tentou acautelar esse dinheiro. Reconhecendo que os problemas começaram com a decisão do banco de financiar Joe Berardo na compra de ações do BCP, uma decisão que só pode ser explicada com os testemunhos dos principais responsáveis na altura do banco, a deputada do CDS defende que Joe Berardo também tem mais explicações a dar.

Sobretudo depois do “desrespeito” que mostrou ao Parlamento e aos portugueses na audição de sexta-feira, na qual reconheceu que promoveu alterações aos estatutos e capital da dona da coleção Berardo. Para Cecília Meireles, ficou claro que Joe Berardo “está a tentar fazer o possível para que os bancos não tenham acesso à garantia” e o parlamento deve atuar na medida das suas competências, sendo que uma comissão de inquérito tem mais poderes do que outros instrumentos.

Berardo mudou estatutos da dona da coleção de arte para reduzir poder de bancos credores

Os pedidos de informação e documentação vão chegar também ao Ministério da Cultura que em 2016 renovou o contrato com o colecionador para a exibição pública da coleção de arte moderna, em aparente ignorância da penhora que os bancos acreditavam ter sobre os obras da coleção. É preciso perceber, acrescentou da deputada, porque é que o Estado acionista da Caixa não fala com o Estado que é responsável pelo Ministério da Cultura.