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Eleições Europeias

A história de um “fogo amigo”: o autarca do PSD que quis atingir o helicóptero de Rangel

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Autarca do PSD criticou Rangel por ter cancelado visita e ter optado por o sobrevoar zona ardida em 2017 de helicóptero. Candidato diz que não quis "discriminar concelhos" nem "explorar drama humano".

Paulo Rangel sobrevoou durante uma hora zonas afetadas pelos incêndios em 2017

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Paulo Rangel, que nunca se importou com ataques do PS, voltou a ser ferido pelo chamado “fogo amigo”. Depois de o mandatário, Carlos Moedas, ter elogiado Costa agora foi a vez de um autarca do PSD criticar a ação mais sucedida do dia: uma viagem de helicóptero pelas área ardida dos incêndios de 2017. O candidato do PSD às eleições Europeias achava que o dia estava a correr bem, com grande destaque nos telejornais da uma, mas o presidente da câmara da Pampilhosa da Serra considerou esta terça-feira à tarde o voo uma “afronta” à população local. Na resposta, horas depois, Rangel teve o seu momento de irritação, e justificou que não quis “discriminar concelhos” afetados pelos incêndios nem fazer uma “exploração do drama humano“.

Este é o resumo da história, mas para a perceber é preciso puxar a fita atrás. Quando a estrutura do PSD desenhou a volta, a distrital propôs uma ida a Pampilhosa da Serra. Numa versão preliminar da agenda entregue aos jornalistas para efeitos logísticos (mas com uma nota de que a versão seria sujeita a alterações), aparecia um evento precisamente nesta terça-feira, 14 de maio às 09h30. Mas, na versão final, já com o logo do PSD e a cara de Paulo Rangel, divulgado a 10 de maio já constava o plano atual: sem Pampilhosa e com voo de helicóptero.

E assim se concretizou. O autarca, que já sabia pelo menos desde segunda-feira que o candidato não iria ao concelho, esperou que Rangel fizesse o voo para protestar. Nas críticas, José Brito foi particularmente duro e em declarações à Lusa afirmou: “Entristece-me. Em 2017, podiam ter vindo ao terreno ver o que aconteceu. Agora, vir de helicóptero, em 2019, ver o que aconteceu em 2017 é uma afronta a esta gente e dá-me vontade de gritar“. José Brito foi reeleito pelo PSD, em 2017, presidente da câmara de Pampilhosa da Serra com 78,6% dos votos.

Para José Brito “este tipo de atitudes, quando acontecem por um cabeça de lista à Europa, são um desrespeito total para com as pessoas deste território. Sinceramente, acho que era preferível dizer que não tinha tempo para cá vir”. José Brito disse ainda que a visita foi cancelada porque “contaram o número de votos” do território e questionou: “Ir de helicóptero ver o que nos aconteceu em 2017? Isto é possível? Não dá para ver o sentimento das pessoas, desta gente que tem um coração enorme. Se calhar, é tempo de dizer basta”.

Rangel ficou incomodado e à chegada ao jantar a Arganil não escondeu o desconforto. O candidato do PSD começou por dizer: “Fico satisfeito por ver que que querem tanto a minha presença”.  O eurodeputado explicou depois que o que o PSD fez esta terça-feira foi “uma visita técnica e política, que teve dois critérios fundamentais: o primeiro critério foi não discriminar os concelhos (…), mas mais importante que isso, houve uma preocupação que eu julgo que tem sido o nosso timbre, de não explorar o drama humano”.

O social-democrata justifica que “uma coisa é alertar para tudo aquilo que tem sido feito erradamente neste contexto, mas não fazer uma exploração do drama humano”. Paulo Rangel justificou mesmo a importância da visita de helicóptero com o interesse jornalístico despertado e questionou uma jornalista: “Faço-lhe uma pergunta: acha que a visita como a que foi feita não foi útil? Aliás, basta ver todos os noticiários da uma para ver que consideram uma visita útil”. E questionou: “Porque se há-de ir a Pampilhosa e não se há-de ir a Góis?”

Rangel disse depois que tem “todo o gosto em ir a Pampilhosa da Serra depois das eleições. Lá estarei, com todo o gosto se o presidente me quiser receber.” As perguntas continuaram e, embora só estivesse há três minutos a responder a questões, Rangel atirou: “Nem sequer dou relevância a isso, nem se justifica estarmos este tempo todo aqui.” E insistiu na tese:”Não compreendo qual é a relevância. Não compreendo porque está tão interessada no assunto”.

O candidato do PSD, que um dia antes tinha decretado o “direito à irritação” de Pedro Marques, teve o seu momento de maior irritação até agora registado pelos jornalistas na campanha e pré-campanha.

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

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