A 13 de maio, em Santa Maria da Feira e perante mil pessoas, Paulo Rangel negou o milagre de Centeno e Costa: “As metas orçamentais não são milagre nenhum, estão na degradação dos serviços públicos”. No comício do final do dia, no Europarque, o cabeça de lista do PSD às Europeias deixou ainda uma promessa ambiciosa em jeito de slogan: “Digo aqui, sem nenhum rebuço, como em 2009, ganhámos ao candidato Vital, em 2019 vamos ganhar ao candidato virtual“.

Há dez anos, quando muitos acreditavam que só por milagre Rangel podia vencer o candidato socialista Vital Moreira, o PSD venceu as eleições. Rangel acredita que pode vencer Pedro Marques, que tem classificado como “candidato virtual” porque “foge à rua, não quer ir aos mercados, não quer ir às pessoas, às feiras, precisa de António Costa em todas as iniciativas”. Para o social-democrata, Pedro Marques é também “virtual porque as soluções que propõe para o país são utópicas, irrealistas sem qualquer adesão à realidade”. De forma sublime e otimista, apontou ainda à eleição do oito eurodeputados: “Ana Miguel Santos [a número oito da lista] será deputada europeia eleita na lista do PSD”.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O cabeça de lista do PSD, sempre atento aos assuntos que marcam a atualidade, não deixou de aproveitar o caso Berardo para atacar o PS. “Não queremos mais Berardos em Portugal“, começou por dizer. Mas logo denunciou que Berardo foi financiado para que o BCP ficasse nas mãos de pessoas próximas do PS, num “Governo [de José Sócrates] que queria controlar a banca“. Os socialistas, denuncia, “agora dizem que é [Berardo] tóxico, mas na altura foi instrumental para o PS”.

Rangel, que terça-feira dedicará o dia às zonas afetadas pelos incêndios, lançou o tema no comício da noite, dizendo que as cativações de Centeno também tiveram repercussão nos “incêndios de junho e outubro” de 2017. O cabeça de lista do PSD aproveitou para visar outra vez Pedro Marques que, enquanto ministro responsável pela reconstrução das casas de Pedrógão, “falhou na resposta às populações que mais precisavam”.

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Além disso, acusa Pedro Marques de ter “desviado 50 milhões de fundos que vieram para a apoio às zonas de Pedrógão e Castanheira de Pêra que foram desviados para despesas correntes”. “Estão a pagar computadores na Autoridade Nacional de Proteção Civil”, exemplificou.

Rangel denunciou também que os portugueses estão a pagar mais impostos do que nunca, com o Governo de Costa a “subir os impostos até ao máximo, e descer os serviços até ao mínimo”. Sobre os impostos, o candidato destacou que a Comissão Europeia confirmou que “não só o Governo impôs a maior carga fiscal, como no próximo ano vai aumentar a carga fiscal, ao contrário do que o Governo disse”. O candidato deu depois exemplos de falhas no SNS, mas também em outro tipo de serviços como o Cartão do Cidadão. “No Simplex, onde tudo é rapidex, não há um cartão do cidadex que possa ser atribuído aos cidadãos“.