Foi com almoços grátis, bilhetes para ver jogos de futebol do Benfica, consertos de carros e serviços de cabeleireiro que P. Lai comprou, durante dois anos, funcionários administrativos e seguranças dos postos de atendimento do SEF — Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. A notícia é avançada pelo Jornal de Notícias (disponível no epaper, conteúdo para assinantes.)

P. Lai, de 68 anos, nasceu em Timor e fala mandarim fluentemente e foi graças a isso que conseguiu aproximar-se da comunidade chinesa, onde angariava os seus clientes. Por cada caso resolvido, o facilitador recebia 600 euros tratando-se, quase sempre, de vistos para a obtenção ou renovação de vistos e residência em Portugal.

Junto dos funcionários do SEF que subornava, P. Lai conseguia atendimento privilegiado e informação sobre como contornar os obstáculos processuais do SEF. Agora, o homem conhecido como diabo preto e tratado por xefe nos sms que trocava com uma das funcionárias subornadas vai responder no Tribunal de Lisboa por corrupção passiva, recebimento indevido de vantagem, falsificação de documentos e auxílio à imigração ilegal.

A julgamento vão também uma funcionária do SEF, dois vigilantes e um empresário. Dois coordenadores do SEF, inicialmente constituídos como arguidos, beneficiaram de uma suspensão provisória do processo, e irão ser testemunhas.