O cabeça-de-lista dos socialistas espanhóis (PSOE) às europeias advertiu este domingo para os perigos de uma eventual vitória nas eleições da “direita xenófoba, ultranacionalista ou populista”, afirmando que se tal acontecer será “bastante complicado” a União Europeia continuar a funcionar.

Josep Borrell, que assegurou que as eleições marcadas para 23 a 26 de maio nos 28 Estados-membros da União Europeia (UE) são “vitais” para o futuro da Europa, falava numa ação de campanha do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) na cidade espanhola de Valência.

Borrell, atual ministro dos Negócios Estrangeiros em funções e que já foi presidente do Parlamento Europeu (PE) entre julho de 2004 e janeiro de 2007, destacou a importância de os europeus se manterem unidos para enfrentar os múltiplos desafios da atualidade, como as alterações climáticas ou as migrações, bem como para enfrentar a força e o poder de países ou regiões como os Estados Unidos, a Rússia, a China ou o norte da África.

Alguém pensa que, como dizem os britânicos com o seu ‘Brexit’ [saída do Reino Unido da UE] ou alguns separatistas catalães com o ‘Catalexit’, sozinhos fazemos melhor?”, questionou Borrell, que se declarou como “pró-europeu”, mas não como um “eurobeato”.

Um dia depois da realização em Milão, Itália, de um comício que contou com representantes de vários partidos europeus da direita nacionalista ou extrema-direita, o político de origem catalã fez avisos contra estas forças antieuropeias que quiseram “demonstrar força”.

“Não há nada mais ignóbil do que explorar o medo do povo perante o imigrante […], nem nada pior do que aqueles que dizem que, se continuarmos assim, a Europa irá tornar-se num continente muçulmano”, afirmou Josep Borrell.

Na sua intervenção, o cabeça-de-lista dos socialistas espanhóis às europeias defendeu um salário mínimo e um seguro de desemprego europeu, um programa de Eramus (programa de intercâmbio) acessível a todos os estudantes, e inclusivo a trabalhadores e a pessoas seniores, bem como um plano de investimento contra as alterações climáticas que crie emprego e distribua os custos de forma justa.

Segundo uma sondagem publicada no sábado pelo jornal El País, o PSOE lidera as intenções de voto nas europeias, com 28,9%, o que representaria a eleição de 17 eurodeputados, num total de 54 eurodeputados espanhóis no PE.

Na segunda posição surge o Partido Popular (PP) com 18,9% dos votos (11 eurodeputados eleitos).

Espanha vota em 26 de maio para as eleições europeias, sendo que para esse dia também estão convocadas eleições locais e regionais.