Em Portugal foram recolhidas cerca de 63 mil toneladas de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE) em 2017. Os dados de 2018 não são ainda conhecidos, mas o objetivo de 65% de REEE recolhidos vai ter de ser cumprido já em 2019.

É neste quadro que surge a e-Waste Summit, com o intuito de consciencializar a sociedade, em geral, e o C-level das empresas, entidades reguladoras e outros decisores na área da reciclagem de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos, em particular.

A e-Waste Summit acontece já esta 4ª-feira, 22 de maio a partir das 9h30m, no espaço emblemático das Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa. “Tecnologia Sustentável na Era Digital – Realidade e Desafios” é o tema do evento promovido pela LG, em parceria com a ERP Portugal, enquadrado na estratégia de compromisso assumida com os stakeholders.

Do programa fazem parte várias apresentações e dois debates, visando promover a reflexão e análise da realidade atual e dos desafios que se colocam, procurando indicar soluções que permitam afirmar Portugal na linha da frente do e-Waste 100% reciclável.

O Secretário de Estado do Ambiente, João Ataíde, vai estar presente na abertura do evento que contempla comunicações de diversos especialistas e dois debates sobre os temas da reciclagem, gestão de resíduos, sustentabilidade e economia circular.

Thomas Fischer, Head of Market Intelligence & Governmental Affairs do Grupo Landbell vai estar no e-Waste Summit para apresentar uma perspetiva geral dos Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE) na Europa. O panorama nacional da gestão de REEE será analisado na keynote de Rosa Monforte, diretora geral da ERP Portugal.

Em seguida haverá lugar para a intervenção de Javier Cervera, Diretor Financeiro da LG Espanha e Presidente do ECOTIC que vem a Lisboa explicar como é desenvolvida da Estratégia de Sustentabilidade da LG no mundo, que terá continuidade na intervenção do Diretor Geral da LG Portugal, Ruy Gil Conde, especificamente acerca do cenário da Sustentabilidade no mercado nacional.

O Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta vai fazer uma comunicação sobre as vantagens do I&D nos Sistemas de Gestão e Reciclagem de REEE, em torno do papel das empresas na Gestão dos Resíduos. Na sequência, as novas tecnologias e serviços para a reciclagem vão ser o mote da intervenção de Graça Martinho, Investigadora na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

A fechar o período da manhã, haverá 30 minutos para o debate com os dois oradores, Hugo Jorge, Diretor de Marketing da LG Portugal, numa conversa moderada por Francisco Teixeira, Diretor Geral da Hill+Knowlton Strategies.

Depois do almoço o evento vai começar com a intervenção de Ricardo Zózimo, Professor Auxiliar da Nova School of Business and Economics, que vai apresentar case studies e partilhar uma visão de sustentabilidade no meio académico.

Pedro Norton de Matos, gestor e mentor do GREENFEST, vai abordar a problemática da inovação e sustentabilidade económica, social e ambiental, antes da intervenção de Carmen Lima, Coordenadora do Centro de Informação de Resíduos da Quercus, sobre o impacte ambiental do lixo eletrónico no planeta.

Os três convidados integram o painel do segundo debate do dia, desta vez moderado pelo advogado e partner da Abreu Advogados, José Eduardo Martins. Para acompanhar as conclusões e presidir ao encerramento da e-Waste Summit estará presente o Presidente da ERP Portugal e da Novo Verde, Ricardo Neto.

ERP, por um ambiente melhor

A trabalhar na European Recycling Platform desde 2011, Rosa Monforte assumiu a Direção Geral da ERP Portugal em 2015. Licenciada em Marketing pelo IADE, em Lisboa, passou por várias empresas em diferentes áreas da gestão de clientes, assumindo responsabilidades na gestão operacional de equipas e serviços de outsourcing.

A propósito desta parceria com a LG Portugal e da necessidade urgente de criar awareness para o problema do lixo electrónico, Rosa Monforte contou-nos que “A ERP Portugal procura garantir que a rede de operadores de gestão de resíduos de REEE proporciona a mais elevada qualidade no tratamento destes resíduos, ao preço mais competitivo, assegurando o cumprimento dos requisitos legais”, adiantando que “através do investimento em projetos de I&D, que potenciem a preparação para a reutilização e a recuperação de matérias perigosas ou com potencial de reutilização, contribuímos para uma economia mais circular.”

Quanto a números, a ERP Portugal tem vindo a contribuir para o cumprimento das metas nacionais de recolha e reciclagem desde o início, impostas em sede das suas licenças, tendo recolhido e tratado até ao final de 2018, mais de 185 mil toneladas de REEE, através dos mais de 2800 locais da rede de recolha.

Acerca das responsabilidades das empresas produtoras de equipamentos nos processos de gestão de REEE, a dirigente considera que “são os produtores de equipamentos que possuem os meios para implementar processos de fabrico que incluam um eco-design que favoreça a remoção de substâncias nocivas e promova a reutilização de materiais, a introdução de matérias primas secundárias em novos equipamentos, a produção de equipamentos inteligentes que minimizem o consumo de água e electricidade.”

Em matéria de políticas públicas para o ambiente e gestão de resíduos, discute-se por vezes a necessidade de criar mais legislação. A diretora geral da ERP Portugal entende que “o quadro legal está bastante completo. O que falta é fiscalização. Todos temos conhecimento do mercado ‘informal’ que existe no sector, pelo facto de os equipamentos terem materiais valorizáveis que são constantemente vandalizados e roubados, sem qualquer preocupação com o ambiente e a saúde pública”, defendendo que “as Entidades Gestoras não têm qualquer poder inspetivo, nem a exclusividade da recolha e gestão do resíduo, pelo que este problema deve ser visto ao nível do licenciamento dos operadores.”

A e-waste Summit insere-se na estratégia de sustentabilidade da LG, que em conjunto com a ERP Portugal, pretende promover o debate sobre a temática da gestão dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos, convidando os principais intervenientes no sector para fazer uma avaliação da situação europeia e nacional, em defesa de uma economia circular.