Mas quem será o pai da geringonça? Rui Rio conhece bem “o pai e a mãe” desta solução governativa e, por isso, não acredita que sejam verdadeiros os ataques fraternos dos socialistas aos parceiros de esquerda. O presidente PSD diz que quando vê “o PS a atacar o PCP e o Bloco como se nunca tivessem criado uma determinada geringonça” se lembra da “roda dos enjeitados“, que existiu até ao século XIX e onde eram colocados “os recém-nascidos bastardos para que fossem adotados”.

Mas há uma diferença, regista Rio. “A geringonça não é recém-nascido, já tem quatro anos de idade, tem pai e tem mãe” o suficiente para ser avaliada em “vários aspetos”. Por isso, toda a guerra nos parceiros “é uma encenação eleitoral.” Rio tem avisado que, passado as eleições (as Europeias e as Legislativas) os partidos de esquerda vão mandar “a zanga ao caixote do lixo.”

Numa tentativa de colar o PS à extrema-esquerda, o líder do PSD atirou ainda a Pedro Nuno Santos. Rui Rio disse que o ministro do Planeamento quando discursou em Aveiro, parecia que estava “num comício do Bloco de Esquerda” por duas razões: “Por aquilo que lá disse, e pela pouca gente que lá tinha à sua frente”.

Apesar dos elogios (na escolha da lista) que ouviu de Pedro Pinto, Rui Rio discursou num terreno pouco confortável. A distrital é das que menos o apoia e no jantar não participou o grande mobilizador (leia-se, cacique) que o presidente tinha em Lisboa: Rodrigo Gonçalves, que se despediu de consultor de Rio na sequência do caso dos perfis falsos no Twitter. Fontes do PSD local atribuíram, em parte, a não lotação do espaço à ausência da “malta do Rodrigo”. Ao Observador, Rodrigo Gonçalves explicou que não foi ao jantar porque estava em trabalho fora do país, mas que “apoia incondicionalmente Rui Rio” e que as pessoas que costumam fazer política com ele se fizeram representar. O que é certo é que houve clareiras e, em 1000 lugares sentados, estavam cerca de 200 vazios.

Rangel denuncia “ímpeto controleiro” do governo de Costa

O cabeça de lista do PSD, Paulo Rangel, diz que quem for a “favor do controlo e do fim da imparcialidade das instituições públicas” não pode votar PS. O candidato disse ainda que o Banco Central Europeu disse recentemente que “o governo do PS quer retirar isenção e autonomia ao Banco de Portugal e que isso é inaceitável”. O eurodeputado sugere que o PS anda a tentar controlar aquele órgão independente.

Rangel, que há dez anos foi o autor da tese da “claustrofobia democrática”, destaca que não está a falar “neste ímpeto controleiro por acaso“. E recorda: “Se olharmos para a maior vergonha, o caso Berardo (…), na altura do Governo Sócrates era o mesmo ímpeto de controlo da banca”. O cabeça de lista do PSD avisa que “se os portugueses não querem que haja mais casos Berardos, se não querem que haja interferência na independência e na autonomia do Banco de Portugal (BdP) não podem votar no PS, não podem votar em António Costa“.

Logo no início do discurso, o cabeça de lista disse que “António Costa de forma nervosa e um pouco esganiçada” disse num comício que o PS tem de “voltar a ganhar as eleições”. Paulo Rangel diz que, na sequência disso, tem uma pergunta a fazer: “Quais foram as eleições que ganhou António Costa?”

E, para isso, Rangel tem uma proposta: “Não podemos deixar que Costa ganhe pela primeira vez no dia 26 de maio”.

Atualização: Artigo atualizado às 10h37 de sexta-feira com declarações de Rodrigo Gonçalves.