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Hospital de São João

Hospital de São João não tem conhecimento de casos de doentes afetados por avaria de equipamento

Entidade Reguladora da Saúde recebeu queixa de paciente que esperou meses por um tratamento. Hospital de São João admitiu "claro prejuízo para os doentes", mas garantiu que problema foi resolvido.

JOSÉ COELHO/LUSA

As avarias quase diárias de um aparelho de radioterapia do Hospital de São João, no Porto, levaram a que os tratamentos dos pacientes com cancro que deveriam começar, no máximo, num prazo de quinze dias, tivessem começado meses depois. Resultado: os problemas podem ter comprometido a eficácia dos tratamentos e diminuído o tempo de vida dos pacientes. Estas falhas, avança a TSF, foram admitidas pelo próprio hospital numa informação enviada à Entidade Reguladora da Saúde (ERS), depois da queixa de um paciente. O hospital, entretanto, garante que o problema está resolvido desde fevereiro e que não tem conhecimento de nenhum doente que tenha sido afetado.

Na resposta enviada por escrito em dezembro de 2018 à ERS, e que a TSF teve acesso, o hospital refere possuir dois aparelhos de tratamento: um “com 20 anos, já descontinuado pela empresa mas ainda em funcionamento”, e que seria substituído pelo novo equipamento, e outro com 14 anos que tem dado “muitos problemas”. Uma “constante interrupção do tratamento”, admitiram ainda os responsáveis hospitalares, “aumenta o tempo total de tratamento e diminui a sua eficácia (diminuição drástica do controlo local por aumento da duração do tratamento com proliferação tumoral”.

Apesar da grande intervenção realizada no início do ano, as avarias mantinham-se quase diariamente, levando ao adiamento de inícios de tratamentos, a interrupções longas de tratamento e consequente redução do controlo local e sobrevida, com claro prejuízo para os doentes“, descreveram os responsáveis do hospital na resposta enviada à ERS em dezembro.

Como consequência desta falta de equipamentos, o serviço de radioterapia decidiu enviar os doentes outro hospital. Mas a ERS não ficou convencida com a explicação do Hospital de São João e, no final da deliberação, salientou “a especificidade e urgência do tratamento em causa” que “não se compatibiliza com a imprevisibilidade de avaria do equipamento e o impedimento da prossecução daquele tratamento”. Mais: para o regulador, as avarias não podem ser uma desculpa e “não é aceitável que o utente não tenha iniciado o tratamento de radioterapia, no tempo considerado aceitável”.

Em conferência de imprensa esta quarta-feira, Fernando Aráujo, presidente do conselho de administração do Hospital de São João, disse não ter “conhecimento direto de nenhum caso concreto [de um doente] que tenha visto a sua vida afetada por este problema”. “É verdade que o equipamento esteve avariado durante meses e é verdade que vários doentes foram transferidos para outras instituições de forma a serem tratados em tempo útil, mas não temos informação específica de algum doente que tenha tido um impacto clínico negativo por causa deste problema”, referiu.

Hospital garante: há novo equipamento desde fevereiro

Questionado pelo Observador sobre a situação, o Hospital de São João garantiu que “instalou um novo equipamento de radioterapia, em fevereiro deste ano, para substituir o anterior”, num investimento que ronda os cinco milhões de euros.

Juntamente com o segundo aparelho que já possui, assegura, conseguirão “dar resposta em tempos adequados aos doentes”, ultrapassando assim “os constrangimentos que afetaram o serviço no ano passado” e permitindo que seja possível dar resposta “a todas as cerca de 28.000 sessões anuais de radioterapia que são solicitadas”.

“Por isso era importante tranquilizar os doentes e as suas famílias, que a situação que existiu no passado se encontra desde março completamente ultrapassada, e terão no Hospital de São João acesso aos melhores tratamentos de radioterapia e em tempo adequado”, acrescentou ainda a nota enviada.

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