O presidente do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, saiu em liberdade, com uma caução de 20 mil euros, após ter terminado o interrogatório no quadro da Operação Teia, este sábado, que se realizou no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto.

Já para o Joaquim Couto, presidente da Câmara de Santo Tirso, e para a sua mulher Manuela Couto, administradora do grupo W Globe Communications, o Ministério Público pediu prisão preventiva avançou a Lusa, citando fonte judicial.

Ainda não há informação das medidas de coação e estas só deverão ser conhecidas na segunda-feira às 14h00. As defesas vão contestar a partir das 21h30 deste sábado.

Segundo informação obtida pelo Observador, uma dos aspetos essencial para a decisão de libertar Laranja Pontes foi que o ainda responsável do IPO do Porto passou à reforma esta sexta-feira, apesar de se manter em exercício das funções na presidência do hospital até ser substituído. Por este motivo, deixou de haver perigo de continuidade da atividade criminosa. O arguido no processo afirmou aos jornalistas: “Infelizmente aconteceu-me este evento. Estou extremamente desgostoso, principalmente pelo enxovalhar e honra da minha filha e família”.

Dentro do TIC ainda estavam os outros arguidos do processo: Joaquim Couto; a mulher Manuela Couto (que já tinha sido constituída arguida em outubro, no âmbito da operação Éter, relacionada com o Turismo do Norte); e Miguel Costa Gomes, presidente da Câmara de Barcelos.

A PJ do Porto suspeita que Joaquim Couto terá alegadamente prometido a Miguel Costa Gomes (presidente da Câmara de Barcelos) e a José Maria Laranja Pontes (líder da administração do IPO do Porto) usar a sua influência política junto do PS e do Governo para satisfazer os interesses particulares do autarca e do gestor público. Além dos apoios políticos e cunhas que Joaquim Couto terá prometido a Miguel Costa Gomes e a José Maria Laranja Pontes (líder do IPO do Porto, o autarca terá ainda recebido cerca de 40 mil euros das empresas da sua mulher Manuela entre dezembro de 2016 e abril de 2018.

O DIAP do Porto considera que Couto terá beneficiado diretamente da contratação pública das empresas da sua mulher (Mediana, a MIT — Make it Hapen, Branding e Comunicação, a My Press, W Globe Communication e SMARTWIN). Costa Gomes terá adjudicado por ajuste direto até julho de 2018 cerca de 1,2 milhões de euros a estas empresas.

Laranja Pontes é suspeito de corrupção passiva pelo Ministério Público por ter favorecido Manuela Couto com cerca de 350 mil euros de serviços. Alegadamente, este favorecimento terá tido como condição que Joaquim Couto exercesse a sua influência para que Laranja Pontes continuasse no IPO do porto e a filha, Marta Laranja Pontes, passasse a ser chefe de gabinete da presidente câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, autarca socialista.

A PJ do Porto acredita ter indícios fortes de que Marta Laranja Pontes, que trabalha na Câmara de Matosinhos há cerca de 10 anos e que era técnica superior na Divisão de Promoção Económica e Turismo, terá sido escolhida por Luísa Salgueiro por alegada influência de Joaquim Couto mas também da sua mulher Manuela e do próprio Laranja Pontes – que terá uma relação próxima com a autarca socialista.

O presidente da Câmara de Santo Tirso e a mulher, a empresária Manuela Couto, são os principais visadas pelo procurador, que pede ainda a prisão domiciliária com pulseira eletrónica para Miguel Costa Gomes, presidente da Câmara de Barcelos.

O processo Teia centra-se nas autarquias de Santo Tirso e Barcelos bem como no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, relacionando-se com “viciação fraudulenta de procedimentos concursais e de ajuste direto”, segundo um comunicado da Diretoria do Norte da Polícia Judiciária, o órgão de polícia criminal que apoia o Ministério Público nesta investigação.