Em novembro de 2013, Vítor Baía, ex-campeão europeu nacional e europeu pelo FC Porto que passou pelo Barcelona, colocava três guarda-redes a um altíssimo nível: Petr Cech, Buffon e Neuer. E português? “O Rui Patrício. Portugal tem bons guarda-redes, estamos a trabalhar melhor do que há uns anos e estou convencido de que irão surgir novos valores com grande qualidade. Mas não temos um guarda-redes de topo mundial. Temos um bom guarda-redes que é o Rui Patrício, que tem capacidade e condições para se tornar um guarda-redes de topo. Mas ainda não o é. Se calhar, vai ter de sair de Portugal para conseguir esse feito. E, de preferência, num clube de topo que lhe permita atingir esse nível. A capacidade individual de um jogador deve ser acompanhada por títulos”, dizia à Notícias Magazine. Cinco anos e meio depois, os seus números cruzaram-se.

Foi tudo para o Primavera mas ele estava no Dragão a tocar as Quatro Estações (a crónica do Portugal-Suíça)

Patrício, que se estreou como sénior em novembro de 2006 (ainda com idade de júnior) pelo Sporting frente ao Marítimo e que fez o primeiro jogo pela Seleção Nacional em novembro de 2010 contra a Espanha, só na presente temporada teve a experiência inicial no estrangeiro e não conseguiu propriamente ganhar títulos – embora um sétimo lugar na Premier League e a qualificação para a Liga Europa com o Wolverhampton possa valer quase tanto como isso, em época de regresso ao principal escalão inglês. Todavia, nem por isso deixou de chegar ao topo, chegando mesmo ao 12.º lugar como melhor jogador do mundo em 2016, ano em que foi fundamental na conquista do Campeonato da Europa de Portugal em França.

A história de Rui Patrício. Ser guarda-redes porque outro amuou

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Depois de um ano que terminou da pior forma a “meia vida” que passou no Sporting, o guarda-redes agora de 31 anos deu a volta em Inglaterra e alcançou esta noite um feito histórico, superando as 79 internacionalizações de Ricardo e igualando as 80 de Vítor Baía, o que o torna desde já o guarda-redes com mais encontros realizados por Portugal numa tabela onde passará a estar isolado na final da Liga das Nações de domingo, contra Holanda ou Inglaterra.

No final do triunfo frente à Suíça no Dragão, onde começou a tirar um golo a Shaquiri com o pé e sofreu apenas de grande penalidade por Ricardo Rodríguez (num lance onde adivinhou o lado e ainda tocou na bola), Patrício destacou a justiça da vitória, elogiou mais uma exibição de luxo de Ronaldo e falou ainda na aventura de Jorge Jesus no comando do Flamengo.

Os penáltis, o 12.º melhor do mundo, as ameaças: Rui, mais um Patrício a sair a mal do Sporting

“Foi um grande jogo, muito difícil e contra uma seleção com jogadores muito experientes. Foi uma vitória justa. Conseguimos fazer um grande jogo e ganhar. Agora na final, venha quem vier, com certeza será difícil. Ronaldo? Ele já tem o talento dele, depois a forma como se prepara e trabalha faz o resto”, comentou na zona mista. “Jorge Jesus é um treinador muito experiente, sabe muito de futebol e com certeza que será uma grande mais-valia para o futebol brasileiro”, acrescentou.

Rui Patrício, Salin e um recorde para a história do Sporting (e que pode ainda aumentar)