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Arábia Saudita

Jovem saudita arrisca execução por ter participado numa manifestação quando tinha 10 anos

O caso foi denunciado pela Amnistia Internacional e não é o único. Desde abril já foram executados 37 homens xiitas, alguns ainda adolescentes, por suposto "terrorismo"

AFP/Getty Images

Um rapaz de nacionalidade saudita, que foi preso quando tinha 13 anos, pode vir a ser executado por ter participado numa manifestação xiita quando era uma criança, contou a Amnistia Internacional ao The Guardian.

Murtaja Qureiris, que atualmente já tem 18 anos, está a enfrentar acusações que incluem crimes como associação a “grupo terrorista” e “provocação de tumultos”, conta o mesmo grupo de defesa dos direitos humanos. O jovem foi preso em setembro de 2014 e, desde então, tem estado preso e em isolamento.

Como tem sido habitual em situações que envolvem a segurança nacional, as autoridades da Arábia Saudita não comentam ou revelam informações sobre o caso. Mesmo assim tem havido uma preocupação crescente muito por causa do aumento do número de execuções feitas pelos sauditas, que desde abril já mataram 37 homens (sendo a maior parte deles xiitas). Entre todos esses condenados à morte estava um rapaz de 16 anos, afirmou a Amnistia Internacional, que ressalva que muitos destes casos foram “graves injustiças”.

Qureiris está a ser acusado de crimes que envolvem ter participado em protestos quando tinha 10 anos. Outra acusação está associada à sua participação numa manifestação anti-governo quando tinha 11 anos — que surgiu no seguimento do funeral do seu irmão mais velho, que tinha sido morto por fazer parte de uma manifestação em 2011, no apogeu da Primavera Árabe.

A minoria xiita do este da Arábia Saudita lançou vários protestos nesse ano, exigindo igualdade de direitos e melhor distribuição dos lucros retirados da venda de petróleo (que está concentrada, precisamente, no nesta zona do país). Eles queixavam-se da fraca qualidade dos serviços governamentais bem como com a discriminação que os tinha como alvo e era principalmente propagada pelos cléricos Wahhabi ultra-conservadores  — que são apoiados pelo governo — e os seus seguidores sunitas.

Nos últimos anos, as tensões com o Irão (que é liderado por xiitas) têm-se intensificado. Tem aumentado também a repressão de críticos ao governo liderado pelo rei Salman e o Príncipe Mohammed bin Salman — que são, principalmente, xiitas.

Desde 2014, mais de 100 xiitas sauditas foram julgados pelo tribunal anti-terrorista da Arábia Saudita com base em acusações vagas. Em 2016 , a execução de um clérigo xiitas consagrado, Sheikh Nimr al-Nimr, esteve na origem de fortes protestos no Paquistão e no Irão, culminando na invasão da embaixada da Arábia Saudita em Teerão. As relações entre sauditas e iranianos não foram recuperadas desde esse incidente.

Detalhes sobre o caso de Qureiris surgiram depois da CNN ter anunciado que procuradores sauditas queriam que lhe fosse aplicada a pena de morte já em 2018. Defendiam que a sua “vontade de instigar tumultos” mereciam o pior castigo possível, mesmo tendo em conta que o jovem não tinha roubado a morto ninguém.

Contudo, ele foi acusado de ter disparado sobre forças de segurança e de ter acompanhado o irmão numa viagem de mota que terminou numa estação de polícia na cidade de Awamiya, onde o irmão alegadamente atirou uma bomba artesanal contra a unidade de segurança.

A mesma CNN afirma que Qureiris, que tem tanto o pai como o irmão também encarcerados, negou todas as acusações. Os ativistas afirmam que ele foi coagido a confessar os crimes.

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