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Classificação da Serra d’Arga como Área de Paisagem Protegida avança de “imediato”

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Guilherme Lagido, coordenador do projeto "Da Serra d'Arga à Foz do Âncora" disse esta terça-feira que "a candidatura como Área de Paisagem Protegida de âmbito regional é para avançar imediatamente".

O projeto intermunicipal implicou um estudo entre o vale do Âncora e o maciço serrano

ARMÉNIO BELO/LUSA

O coordenador do projeto “Da Serra d’Arga à Foz do Âncora”, que envolve os concelhos de Caminha, Viana do Castelo e Ponte de Lima, disse esta terça-feira que a classificação daquele território como Área de Paisagem Protegida avançará de imediato.

“A candidatura como Área de Paisagem Protegida de âmbito regional é para avançar imediatamente. Hoje [terça-feira] vou reunir com técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) para saber, exatamente, que passos têm de ser dados com vista à sua a formalização”, afirmou Guilherme Lagido.

O antigo diretor do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) e atual vice-presidente da Câmara de Caminha adiantou que “a candidatura tem o trabalho principal, técnico e científico já concluído”.

“Agora é apenas a definição política sobre o que devemos incluir na Área de Paisagem Protegida, mas a candidatura é para avançar o quanto antes”, referiu.

O responsável, que falava em São Lourenço da Montaria, em Viana do Castelo, na apresentação dos estudos realizados desde 2017, explicou que o “valor patrimonial” da Serra d’Arga “é de tal modo elevado, o conhecimento agora existente é de tal modo avançado”, que se tornou necessário “criar um mecanismo de proteção desse património”.

“É um bocado como arranjar uma arca que guarde esta joia que nós aqui temos. É firme determinação dos municípios avançar para esta classificação. Temos instrumentos como nunca tivemos para defender este território e, de forma abalizada, feitos por pessoas altamente credenciadas, ligadas às universidades, estudiosos, de elevado respeito científico e intelectual”, reforçou.

Guilherme Lagido sublinhou que a área protegida “não deve ser criada à pressa” por causa da eventual prospeção ou exploração de minerais na região, mas garantiu que essa classificação permitirá uma “proteção sustentada” daquele território.

“O que temos é trabalho de defesa devidamente suportado. Até agora era na base da conversa. Agora temos informação suficiente que nos permite defender este património que não é para estragar”, frisou.

O projeto “Da Serra d’Arga à Foz do Âncora”, “incide sobre o território classificado como Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000 Serra d’Arga, correspondendo a uma área com 4.493 hectares, totalmente inserida na sub-região do Alto Minho, e cuja conservação florística e faunística é imperativa”.

A classificação daquele território como Área Protegida de âmbito regional pretende “reforçar o seu caráter único enquanto ativo territorial e produto turístico emergente”.

O coordenador do projeto reforçou a importância da “informação sistematizada” sobre aquele território, “até agora inexistente”.

“Eu próprio tinha a ideia que a Serra d’Arga era um Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) em ponto pequeno, encravado entre as autoestradas A3 e a A28. Os resultados deste estudo são surpreendentes”, referiu.

O projeto intermunicipal implicou um estudo entre o vale do Âncora e o maciço serrano, que incluiu o levantamento das espécies existentes.

O estudo permitiu ainda fazer “o levantamento do património construído, mais de 600 exemplares, entre igrejas, cruzeiros, alminhas, moinhos, fontanários”.

A investigação foi realizada pelas empresas Território XXI, Floradata, Wenature, Miew Creative Studio, no âmbito de uma candidatura dos três municípios a fundos do Norte 2020, no valor de 350 mil euros.

Foram efetuados atlas da flora, fauna e geologia, o inventário do património material, trilhos suportados por novas tecnologias através de uma aplicação móvel (app), um vídeo promocional e um documentário, reunidos numa página na Internet criada para o projeto.

“É uma biblioteca que reúne toda informação que foi possível colher de tudo o que existe na Serra d’Arga. Neste momento, temos conhecimento científico e técnico como nunca tivemos e, sobretudo, temos a informação sistematizada, ou seja, qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, tem acesso a esta informação”, destacou.

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