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Moeda digital do Facebook ameaça estabilidade financeira, diz supervisor

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Organização que representa os bancos mundiais e que é responsável pela supervisão bancária pede uma "abordagem mais abrangente" aos decisores políticos.

Facebook está a desenvolver uma criptomoeda, a Libra

Getty Images

Autor
  • Beatriz Ferreira

A moeda digital que o Facebook está a desenvolver, a Libra, assim como os serviços de pagamento de empresas como a Amazon ou a Alibaba, podem representar riscos para o sistema bancário internacional. O alerta é da organização que representa os bancos mundiais e que é responsável pela supervisão bancária: o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS). A instituição pede uma resposta rápida dos decisores políticos.

Segundo o relatório do BIS, que analisa riscos e oportunidades da entrada das grandes tecnológicas no setor financeiro, a mudança de empresas como Facebook, Amazon ou Alibaba para o “mundo” dos serviços financeiros pode, por um lado, acelerar as transações e diminuir custos, sobretudo nos países em desenvolvimento. Mas, por outro lado, pode colocar em causa a estabilidade do sistema bancário que ainda recupera da crise iniciada em 2008. Entre os riscos identificados pela entidade está a redução da concorrência, a possível criação de problemas na privacidade dos dados pessoais e na estabilidade financeira.

“As empresas de tecnologia como Alibaba, Amazon, Facebook, Google e Tencent cresceram rapidamente nas últimas duas décadas”, refere o relatório. O modelo de negócios destas grandes tecnológicas “baseia-se em permitir interações diretas entre um grande número de utilizadores”. A Alibaba e o eBay, por exemplo, oferecem serviços de pagamento – o Alipay e o PayPal, respetivamente. Outras empresas começaram a usar as plataformas como canais de distribuição para produtos de terceiros, incluindo seguros de carro e de saúde. Há ainda entidades que se introduziram na área do crédito.

O BIS pede, assim, aos decisores políticos uma “abordagem mais abrangente que se baseie em regulamentação financeira, política de concorrência e regulamentação de privacidade de dados”. “O objetivo deve ser o de responder à entrada das grandes tecnológicas nos serviços financeiros, de modo a beneficiar dos ganhos, limitando os riscos. Como as operações de grandes técnicos abrangem perímetros regulatórios e fronteiras geográficas, a coordenação entre as autoridades – nacionais e internacionais – é crucial”, pode ler-se no documento.

“Pelo seu tamanho e alcance do cliente”, nota a instituição, a entrada das grandes tecnológicas no setor financeiro tem o potencial de desencadear mudanças rápidas na indústria. Apesar dos riscos, a instituição nota vantagens na introdução das tecnológicas no sistema financeiro, como o facto de poderem fornecer serviços financeiros básicos, “especialmente em lugares onde grande parte da população continua sem acesso a serviços bancários”.

Para a instituição mundial, os vários reguladores devem “garantir condições equitativas entre as grandes empresas e os bancos, tendo em conta a ampla base de clientes das grandes tecnológicas, o acesso à informação e os modelos de negócios abrangentes”.

O alerta do BIS surge dias depois de o Facebook ter anunciado que iria lançar a sua própria moeda digital, a Libra, no próximo ano. O objectivo é processar pagamentos e transferências online a partir de aplicações como o Messenger e o WhatsApp, sem recorrer aos bancos tradicionais. A moeda, adiantou o Facebook, procurará ter volatilidade controlada, como acontece com os câmbios de moedas reais mais fortes. Os criadores querem também que seja possível transferir Libras entre smartphones, independentemente da distância, admitindo a aplicação de taxas muito reduzidas para algumas transações.

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