Rádio Observador

Facebook

Farfetch. Facebook vai lançar criptomoeda com ajuda de unicórnio português

179

Os rumores confirmam-se: o Facebook vai ter uma criptomoeda que pode ser utilizada no WhatsApp e no Messenger. Chama-se Libra e tem o apoio da portuguesa Farfetch, que está sediada em Londres.

A criptomoeda do Facebook vai estar disponível no Messenger, WhatsApp e numa app própria (a da imagem)

FACEBOOK

O Facebook vai lançar a Libra, a criptomoeda da empresa que vai poder ser utilizada no WhatsApp, Messenger, e numa aplicação de carteira virtual própria, anunciou a empresa em comunicado. A rede social vai utilizar a tecnologia de blockchain, comum a estas tecnologias e criou uma subsidiária chamada “Calibra” para o investimento nesta moeda digital. Além disso, a Calibra vai fazer parte da “Rede Libra”, a associação da criptomoeda que conta com a participação de empresas como a Visa, a Vodafone, a Uber, o Ebay, o Spotify e o unicórnio português sediado em Londres — startup avaliada em mais de mil milhões de dólares — Farfetch. A Libra deve ser lançada em 2020.

A moeda digital do Facebook tem como objetivo facilitar a transação de dinheiro globalmente. “Mais de metade dos adultos em todo o mundo não têm uma conta bancária ativa”, diz a empresa. Ao criar a carteira de moeda digitais com o nome “Calibra”, na qual os utilizadores vão poder guardar e transferir dinheiro, à semelhança de outras carteiras de digitais, o Facebook quer que quem adira possa “guardar, transferir e gastar Libra”.

No início, quando for lançada, as transferências com a libra vão ter “um custo zero ou muito reduzido” para quem tenha um smartphone. Com o tempo, o Facebook espera que os utilizadores possam passar a “pagar contas carregando num botão, comprem um café mostrando um código, ou andem de transportes públicos sem precisar de andarem com dinheiro vivo no bolso ou o passe”.

Num post esta terça-feira no Facebook, Mark Zuckerberg, presidente executivo e fundador da rede social, mostrou todas as empresas que vão fazer parte da organização sem fins lucrativos “Libra Association”. Além disso, deixou uma promessa: “Toda a informação que partilha com a Calibra vai ser guardada de forma separada da informação que partilha no Facebook”. Com polémicas na história do Facebook como o caso Cambridge Analytica, em que a rede social permitiu que empresa de análise de dados utilizasse indevidamente os dados de 87 milhões de utilizadores para influenciar eleições, esta promessa ganha bastante importância.

Zuckerberg diz também que a visão para a Libra é criar a mesma “visão de uma plataforma social focada na privacidade”. Para isso, a tecnologia de blockchain vai ser crucial.

Today, Facebook is coming together with 27 organizations around the world to start the non-profit Libra Association and…

Posted by Mark Zuckerberg on Tuesday, June 18, 2019

Para já, “ainda há muito mais para aprender antes que a Libra esteja pronta para ser lançada oficialmente”, diz Zuckerberg. Algumas questões, como se vai ser necessário ter conta no Facebook para utilizar a carteira digital da Libra, ainda não têm resposta. Ao mesmo tempo, apesar de poder estar próximo um futuro que é possível pagar um café com a moeda digital do Facebook mostrando o telemóvel, ainda faltam passos importantes. O responsável do Facebook diz que têm trabalhado com legisladores e especialistas na área das Finanças para continuar a melhorar esta aposta na Libra. “Queremos fazer isto da maneira correta”, diz.

Quanto aos usos e tecnologia da Libra, José Neves, fundador e presidente executivo da Farfetch, uma das empresas da associação da criptomoeda, afirma em comunicado: “Acreditamos que o blockchain vai beneficiar a indústria do luxo ao melhorar a proteção de IP, transparência no ciclo de vida do produto e — no caso da Libra — permitir que um comércio eletrónico global fluido”, O responsável da empresa de comércio online de luxo diz ainda que a Farfetch “vai participar ativamente como membro fundador da Libra Association no desenvolvimento técnico do blockchain (…) e acelerar outros projetos” que utilizem a mesma tecnologia.

O que são bitcoins?

São moedas virtuais, que não se veem, não se tocam, não se sentem. São códigos encriptados, para os quais existem carteiras próprias na web ou no computador, e cuja emissão e transmissão não é controlada por nenhum banco central ou Governo. Estas operações são feitas por uma rede de computadores distribuída pelo mundo inteiro, cujo histórico é aberto e transparente, sendo guardado numa base de dados a que se chama blockchain. Os donos dos computadores que participam na produção de bitcoins são uma espécie de “mineiros”.

As criptomoedas são unidades de dinheiro digital que utilizam como base a tecnologia blockchain (que permite efetuar transações virtuais entre pessoas e organizações sem intermediários). Esta inovação tem gerado bastante interesse entre os investidores — e até assustado a banca. Em 2018, a Bitcoin, a criptomoeda mais conhecida, bateu recordes, com os primeiros investidores a tornarem-se multimilionários. Depois, desceu a pique — mantendo, mesmo assim, uma valorização de cerca de dois mil euros — para, agora, estar de novo a subir (atualmente, uma bitcoin vale cerca de 8250 euros).

A informação de que o Facebook estava a investir numa criptomoeda própria tinha sido avançada pela BBC em maio, com a confirmação de que Mark Zuckerberg tinha falado o governador do Banco de Inglaterra e com responsáveis do Tesouro dos Estados Unidos da América sobre os riscos e oportunidades de lançar uma moeda digital.

Os membros fundadores da Libra Association são, segundo comunicado da Farfetch: as empresas de pagamentos – Mastercard, PayPal, PayU (Naspers’ fintech), Stripe, Visa; as empresas de tecnologia e marketplaces – Booking Holdings, eBay, Facebook/Calibra, Farfetch, Lyft, Mercado Pago, Spotify Technology S.A., Uber Technologies, Inc.; de telecomunicações – Iliad, Vodafone Group; blockchain – Anchorage, Bison Trails, Coinbase, Inc., Xapo Holdings Limited; venture capital – Andreessen Horowitz, Breakthrough Initiatives, Ribbit Capital, Thrive Capital, Union Square Ventures; e as organizações sem fins lucrativos e multilaterais, e instituições académicas – Creative Destruction Lab, Kiva, Mercy Corps, Women’s World Banking.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mmachado@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)