Primeiro, com o presidente ucraniano. Depois, com o presidente alemão. Das duas vezes, em Berlim. O que causa mal-estar à chanceler alemã? Num curto espaço de tempo, Angela Merkel tremeu de forma descontrolada em público, o que começa a levantar questões sobre a sua saúde. O El Mundo ouviu vários especialistas e avança com algumas das causas que podem estar na origem dos tremores de Merkel e que passam pelas mais simples e tratáveis, como stress e ansiedade, até a doenças mais complicadas, como as neuro-degenerativas.

Na quinta-feira, Angela Merkel voltou a ter tremores em público durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, em Berlim. Antes disso, nove dias antes, a 18 de junho, a chanceler tremeu descontroladamente durante um encontro oficial com o Presidente ucraniano, e que seria justificado com uma desidratação. “A chanceler está bem”, reafirmou o seu porta-voz esta quinta-feira. As imagens dos dois momentos têm estado a correr mundo e, claro, as redes sociais.

As causas podem ser muitas, escreve o El Mundo, e podem passar por reações fisiológicas a um estímulo exterior, como por exemplo uma mudança de temperatura. No entanto, as máximas em Berlim não passaram dos 29 graus durante a visita do presidente ucraniano e, na quinta-feira, as previsões subiam apenas até aos 19 graus.

Outra hipótese avançada pelos especialistas ouvidos pelo jornal espanhol é os tremores serem uma consequência de uma crise de ansiedade. Mas há mais: infeções, problemas no metabolismo ou doenças neuro-degenerativas, todos podem causar tremores como os que se vêm nos vídeos da chanceler de 64 anos.

Os tremores são um sintoma muito frequente de encontrar na prática clínica, diz Pablo Baz, coordenador do grupo de trabalho de neurologia da Sociedade Espanhola de Médicos de Atenção Primária, citado pelo El Mundo.

“Só com as imagens não se pode estabelecer um diagnóstico e há que ter em conta que, em função da idade, as patologias prévias de uma pessoa ou a sua condição basal, os tremores enquanto sintoma podem indicar a existência de uma doença crónica ou apenas uma alteração pontual sem significado clínico importante”, defendeu.

A neurologista Teresa Maicas concorda com esta leitura e lembra que não se deve pensar exclusivamente em problemas graves. “Há variadíssimas causas que podem causar tremores e muitas delas resolvem-se.”  A hipótese de ser Parkinson é posta de lado pela médica espanhola, já que considera que o que se vê nos dois vídeos não são os tremores típicos daquela doença degenerativa.

A opinião de Juan Carlos Portilla, da Sociedade Espanhola de Neurologia, é semelhante: “O tremor de Parkinson é mais contínuo e manifesta-se em conjunto com outros sintomas, como a torpeza motora ou a lentidão a caminhar, que neste caso não se verificam.” O tremor essencial ou a ataxia (falta de coordenação dos movimentos musculares) são outros problemas neurológicos em que os sintomas casam melhor com os de Angela Merkel.

Mas não se deve pensar apenas em alterações neurológicas, diz o especialista. Há alterações do metabolismo que podem estar na origem dos tremores: “Por exemplo, uma hipoglicemia ou uma baixa de tensão arterial podem causar este tipo de sintomas”, diz, acrescentando à lista os problemas de tiróide e o tremor ortostático, uma condição neurológica rara, cuja causa é desconhecida, e que afeta especialmente mulheres com mais de 60 anos.

Por último, Portilla lembra que os tremores também podem ser simplesmente um efeito secundário de alguma medicação ou sintoma de uma infeção. Seja como for, todos os especialistas são unânimes: para fazer um diagnóstico correto seria necessário fazer um exame físico completo e conhecer os antecedentes do paciente. O que não é o caso.