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“Só ele foi atacado assim.” Bruno de Carvalho compara-se a José Sócrates

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O ex-presidente do Sporting falou ao Expresso sobre os seus problemas financeiros, a dificuldade em arranjar emprego e os casos de Alcochete e Cashball.

RODRIGO ANTUNES/LUSA

“Só José Sócrates foi atacado assim. Com uma diferença: José Sócrates foi atacado massivamente, mas depois do poder. E não chegou aos calcanhares daquilo que eu sofri. A mim aconteceu-me algo que nunca aconteceu no mundo: um ataque cerrado, político, desportivo comigo no poder.” É desta forma que Bruno de Carvalho (BdC ), o ex-presidente do Sporting que foi acusado de 98 crimes pelo Ministério Público (MP) no processo da invasão a Alcochete, caracteriza a sua vida neste momento. Numa entrevista cedida ao Expresso o antigo dirigente lança duras críticas a Cândida Vilar, Godinho Lopes e Frederico Varandas, levantando o véu também sobre as grandes dificuldades que tem sinto na sua vida pessoal.

A primeira pessoa a ser visada na entrevista foi a procuradora do processo à invasão de Alcochete, Cândida Vilar. Bruno de Carvalho pega em exemplos como a sua ligação a Tancos (há alegadas suspeitas de que possa ter avisado a Polícia Judiciária Militar a não dar informações ao MP) e o processo disciplinar que lhe foi aplicado por causa do interrogatório a Fernando Mendes (ex-líder da Juve Leo) para levantar suspeitas sobre a sua forma de trabalhar. “Ou a procuradora Cândida Vilar tem uma agenda, coisa que eu não quero acreditar, porque seria demasiado grave, ou tem um distúrbio”, afirma.

BdC vai mais longe e diz mesmo que, na sua visão, existe uma ligação entre a magistrada Cândida Vilar e Godinho Lopes, também ele antigo líder do SCP e adversário de Bruno de Carvalho. “Às vezes paro, penso e quando me chega a informação de que Cândida Vilar e Godinho Lopes são grandes amigos, cada vez mais acredito que em Portugal já nada me espanta”, diz.

Para o ex-líder do Sporting, as suspeitas deste caso estão focadas na pessoa errada (o próprio BdC). Na sua opinião, quem devia estar no centro dessa investigação deveria ser Ricardo Gonçalves, o responsável de segurança da Academia na altura dos ataques.

“Para mim teve uma atuação verdadeiramente inapropriada e com falta de profissionalismo — e estamos a falar de uma pessoa cuja formação profissional é GNR, portanto, uma pessoa ligada à lei e a este tipo de acontecimentos e que tinha de saber agir —, é promovido para responsável geral da segurança do estádio e Academia pela atual direção. O Ricardo Gonçalves, por aquilo que se sabe, recebeu um telefonema de Bruno Jacinto 14 minutos antes da invasão a Alcochete. Catorze minutos é um mundo para se tomarem medidas que evitem qualquer género de confrontos com os jogadores. Vou dar um exemplo muito simples: os jogadores estavam a 30 segundos dos quartos. Bastava ter mandado os jogadores para os quartos, fechado as portas“, afirma o ex-líder leonino.

É quando o questionam sobre se estava ou não agarrado ao poder que o dirigente se vira para a sua vida pessoal, afirmando que “por ter sido ex-presidente do Sporting” impediram-no de “ter a possibilidade de dar sustento” à suas filhas.

BdC afirma ter vivido das suas poupanças durante um ano — que entretanto já acabaram e não tem sido fácil reabastecê-las. “As pessoas não me dão emprego, ponto”, afirma o antigo dirigente que vai mais longe ao afirmar que isto só acontece porque os empregadores têm “medo de represálias” se o contratarem. “Dizem isto, vou repetir: ‘Não lhe dou emprego e não é pelo seu valor, porque sabemos perfeitamente que você a nível de trabalho não há igual, mas temos medo de represálias.’ Isto não tem nada a ver com estar agarrado ao Sporting. Mas uma coisa é sair e continuar a minha vida. Outra coisa é esta perseguição que é feita, metaforicamente falando, pela procuradora Cândida Vilar e pelos atuais órgãos sociais do Sporting a um cidadão cuja única coisa que fez foi chegar ao Sporting e trazer dinheiro, glória, títulos, sócios, um pavilhão, e isto irrita-os solenemente. Porque se nós fossemos para eleições, eu ganhava.

O ex-presidente reconhece o direito que os sportinguistas têm de decidir se deve “continuar como presidente ou sócio” mas não dá “o direito a ninguém” de o impedirem de ter um futuro. “Neste momento, aquilo que tive de fazer enquanto ser humano e cidadão foi colocar a minha casa no mercado para poder ter algum rendimento para continuar a sobreviver.”

sua expulsão será votada no próximo dia 6, numa Assembleia Geral que espera-se que seja mais pacífica que a deste sábado, 29 de junho, que foi suspensa por causa de conflitos associados a apoiantes de BdC.

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