Enquanto se esperam por novos desenvolvimentos sobre o pedido do medicamento para Matilde — a bebé com atrofia muscular espinal cujos pais iniciaram uma campanha de angariação de dois milhões de euros para adquirirem o medicamento que pode salvá-la, a ministra da Saúde assegurou que “o Ministério está tão preocupado com o caso de Matilde como com o das outras crianças”. E referiu que é preciso “dar espaço de respiração a quem precisa de decidir tecnicamente” sobre estes casos.

Em declarações à SIC Notícias, Marta Temido reforçou que “cada criança tem a sua circunstância específica em termos clínicos” e que a tutela quer garantir o acesso ao medicamento quando este é indicado para o tratamento específico. Sobre as crianças em Portugal que sofrem desta doença, a ministra indicou que duas, incluindo Matilde, estão no Centro Hospitalar de Lisboa e Norte, e “haverá mais seis a sete crianças eventualmente elegíveis noutros hospitais do país”.

Sobre os dois milhões de euros que o medicamento Zolgensma custa, Marta Temido assegurou que “Portugal e o Ministério da Saúde têm tido uma postura muito assertiva”. “Na realização da Assembleia Mundial da Saúde foi possível mais uma vez subscrever uma posição conjunta com outros países da União Europeia no sentido de termos maior transparência sobre a informação do preço dos medicamentos. Não quer dizer que o preço não possa ser esse, quer dizer que os cidadãos, os contribuintes têm direito a ter acesso a essa informação”, assegurou a ministra.

Desde o início deste processo que temos sublinhado que este medicamento de que agora se fala para este bebé ou para outros bebés é um medicamento que ainda não está aprovado no espaço europeu. Está aprovado nos Estados Unidos pela Food and Drug Administration, não está aprovado pela Agência Europeia do Medicamento. Está em apreciação”, acrescentou ainda Marta Temido.

A ministra sublinhou ainda que os processos relacionados com a decisão de optar pela melhor operação terapêutica a aplicar nestes casos “tem de ter o tempo correto sob o ponto de vista clínico” e destacou que não se pode “pressionar aquilo que é a decisão clínica”. “A pressão de quem tem um menino nestas circunstâncias, a pressão da sociedade é positiva no sentido da sua atenção a tudo aquilo que se vai passando, mas têm também que dar espaço de respiração a quem precisa de decidir tecnicamente. Eu acredito que esse é o melhor caminho”, terminou.