Rádio Observador

Espanha

Espanha. Pedro Sanchéz faz nova tentativa de acordo com Pablo Iglesias para desbloquear impasse

Pedro Sanchéz, primeiro-ministro espanhol, quer fazer nova tentativa de acordo com o líder do partido de extrema-esquerda Unidos Podemos, Pablo Iglesias, para concretizar a formação do governo.

O PSOE ganhou as eleições legislativas de 28 de abril com 123 deputados num total de 350, mas até agora não conseguiu os apoios necessários

Juan Carlos Hidalgo/EPA

Autor
  • Agência Lusa
Mais sobre

O primeiro-ministro socialista espanhol, Pedro Sánchez, anunciou nesta quinta-feira que vai voltar a encontrar-se com o líder do Unidas Podemos (extrema-esquerda), Pablo Iglesias, para tentar desbloquear o atual impasse na formação de um governo.

“É importante rebobinar e voltar ao ponto de partida” das negociações, disse Pedro Sánchez numa entrevista à televisão pública espanhola (RTVE), acrescentando que vai falar ainda nesta quinta-feira com Pablo Iglesias para propor que as duas partes voltem à mesa de negociações.

O PSOE (Partido Socialista Espanhol) ganhou as eleições legislativas de 28 de abril com 123 deputados num total de 350, mas até agora não conseguiu os apoios necessários para assegurar a investidura de Sánchez, que se vai realizar na semana que se inicia em 22 de julho.

Os votos do Unidas Podemos são imprescindíveis à recondução de Pedro Sánchez, depois de todos os partidos à direita do PSOE já terem confirmado que irão votar contra a sua investidura, apesar dos múltiplos apelos de chefe do governo de gestão para que se abstenham.

A formação de extrema-esquerda exige a entrada de dirigentes seus, como ministros, no futuro governo espanhol, possibilidade que os socialistas recusam terminantemente, preferindo apenas o seu apoio parlamentar e avançando apenas com a eventual concessão de lugares intermédios de poder (secretarias de Estado e direções-gerais).

Na entrevista, Sánchez explicou que discrepâncias importantes “de fundo”, entre o PSOE e a Unidas Podemos, em questões de Estado, como a crise na Catalunha, levaria à paralisação de um eventual executivo de coligação em que a extrema-esquerda estivesse presente no Conselho de Ministros.

O chefe do governo deu como exemplo o facto de o Unidas Podemos admitir o direito à autodeterminação daquela região de Espanha que tem um forte movimento independentista.

Mesmo com o apoio do Unidas Podemos, Sánchez terá de negociar o apoio de outros partidos ou, na pior das hipóteses, a sua abstenção numa segunda volta, quando apenas precisar da maioria dos votos expressos.

“Precisamos de ter um governo que não dependa das forças independentistas”, disse Sánchez, numa alusão ao executivo anterior, da sua responsabilidade, que inicialmente recebeu o apoio dos partidos separatistas presentes no parlamento, que acabaram por ser os principais responsáveis pela sua queda ao retirar-lhe o apoio.

O chefe do governo espanhol voltou a pedir à direita, PP (Partido Popular) e Cidadãos (Liberais), que “facilitem a formação do novo executivo através da sua abstenção, mostrando-se mesmo “disposto a negociar” essa posição.

“Não contemplo nem trabalho com um cenário de repetição eleitoral”, assegurou Sánchez, ao mesmo tempo que criticava a direita por “não deixar de falar de constitucionalismo e sentido de Estado, mas impede a constituição de um governo”.

A falta de progressos para formar governo, três meses depois das eleições legislativas, leva os analistas a avançarem cada vez mais com a possibilidade de que seja marcada uma nova consulta eleitoral.

Nas legislativas de 28 de abril, os socialistas foram o partido mais votado, com quase 29% dos votos, mas outros quatro partidos tiveram mais de 10%, acentuando a grande fragmentação política do país.

O PSOE tem 123 deputados eleitos (28,68% dos votos), o PP 66 (16,70%), o Cidadãos 57 (15,86%), a coligação Unidas Podemos 42 (14,31%), o Vox (extrema-direita) 24 (10,26%), tendo os restantes sido eleitos em listas de formações regionais, o que inclui partidos nacionalistas e independentistas.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)