Os partidos marroquinos da coligação governamental e da oposição reclamaram esta quinta-feira a soberania do seu país sobre as cidades espanholas de Ceuta e Melilla, localizadas no norte de África.

O nacionalista Istiqlal alertou que a parceria com Espanha não pode ser feita à custa da integridade territorial de Marrocos.

Estas posições foram expressas no Parlamento marroquino durante o debate sobre o programa do novo Governo, presidido por Fatima Ezzahra el Mansouri e formado após as eleições legislativas do mês passado em Marrocos.

O Partido Autenticidade e Modernidade (PAM, liberal), que lidera a coligação governamental, pediu que se continue o trabalho nacional e diplomático para “completar a unidade territorial” de Marrocos e defender o seu “direito legítimo de recuperar Ceuta, Melilla e as ilhas marroquinas ocupadas”.

A estrutura partidária especificou que esta ação deve realizar-se no quadro de “uma visão nacional responsável, baseada na legitimidade histórica e jurídica, bem como no diálogo e nos meios pacíficos”.

Istiqlal (PI, que faz parte da coligação governamental) assegurou que por mais importante e profunda que seja esta parceria (entre Espanha e Marrocos), não pode ser construída à custa dos princípios irrenunciáveis de Marrocos, em particular da sua soberania e integridade territorial.

“Rejeitamos qualquer tentativa de instrumentalizar para fins partidários ou mediáticos as questões relacionadas com a nossa soberania nacional, ou de as utilizar para incitar ao ódio e à discriminação e alimentar as tensões entre os dois povos vizinhos”, acrescentou o partido.

O PI elogiou a profundidade das relações bilaterais, mas avisou que não aceita que “sejam usadas como instrumento de pressão ou chantagem, nem que o respeito pela sua integridade territorial e soberania nacional seja objeto de negociação”.

O partido sublinhou também que uma verdadeira parceria não se constrói “ignorando as questões pendentes”, mas com base na “confiança mútua, no respeito explícito pelos princípios fundamentais de cada parte e na capacidade de gerir as diferenças através do diálogo, do bom senso e da responsabilidade”.

O Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD, islamista da oposição) condenou “energicamente” a visita do rei Filipe VI, no dia 13, à cidade espanhola de Ceuta, que designou como uma “cidade ocupada”.

O PJD rejeitou também as “ações imprudentes e campanhas de provocação” empreendidas contra Marrocos e os seus símbolos nacionais e soberanos por certos setores políticos, partidários e mediáticos espanhóis e europeus.

E reafirmou que Ceuta e Melilla, as Ilhas Chafarinas e todos os enclaves “ocupados” são “territórios marroquinos que foram e continuarão a ser”.

“Nenhuma visita, seja qual for o seu nível, de Espanha ou da Europa, poderá alterar estas realidades imutáveis”, acrescentou.

A formação islamista evocou o discurso proferido por Maomé VI no início do mês, durante o início do ano legislativo, quando o monarca afirmou que “a parceria é uma opção soberana e um compromisso voluntário, e jamais será objeto de pressão, ameaça ou chantagem”.

“Mantemo-nos firmes na recuperação de Ceuta, Melilla, das ilhas e enclaves ocupados, juntamente com um programa urgente para o desenvolvimento das regiões fronteiriças”, precisou a Coligação de Esquerdas (CI, também oposição).

“A nossa unidade territorial é um princípio soberano inabalável que não admite negociação”, acrescentou.

As declarações destas formações partidárias aprofundam as posições que já tinham sido expressas após a crise provocada pela entrada massiva de migrantes irregulares em Ceuta, no passado dia 30 de julho, vindo