Rádio Observador

Moda

Giorgio Armani. Os 85 anos do “último imperador da moda”

409

Criou uma empresa em nome próprio aos 41 anos, depois de estudar medicina e de cumprir serviço militar. Aos 85 anos, Giorgio Armani continua no ativo, ao comando da marca que permanece independente.

Giorgio Armani celebra esta quinta-feira 85 anos

GIUSEPPE CACACE/AFP/Getty Images

Estávamos em 1975 quando um Giorgio Armani de 41 anos decide arriscar a solo na indústria da moda e cria uma marca homónima, a mesma que, tantos anos depois, permanece uma das últimas griffes independentes que não foi absorvida por um conglomerado de luxo, contrariando uma tendência com expressão significativa no setor. Esta quinta-feira, 11 de julho, o homem que criou um estilo próprio para homem e mulher, assente na sofisticação e no minimalismo, celebra 85 anos de vida. Com a saída de Valentino em 2008 das passerelles e com o desaparecimento de Karl Lagerfeld — diretor da Chanel que morreu em fevereiro deste ano precisamente aos 85 anos — Armani é, segundo o El País, “o último imperador da moda”.

Armani — com uma fortuna avaliada em 9.6 mil milhões de dólares, segundo a revista Forbes — é o único dono da empresa Armani, que congrega as diferentes linhas: de Giorgio Armani, prêt-à-porter mais clássico, à X Armani Exchange, bem mais casual. Até hoje, o designer é um exemplo raro de gestão visto que comanda os destinos do negócio tanto do ponto de vista criativo como administrativo. Armani continua no ativo, com o mesmo jornal a falar em “apogeu profissional”. 

Lenda viva no mundo da moda, o designer é responsável, entre outras coisas, por trazer um estilo suave e minimalista à roupa masculina de alta qualidade e um toque andrógino à moda no feminino. Mas o caminho trilhado neste universo nem sempre foi claro. Nascido em 1934 na comuna italiana de Placência, chegou a estudar medicina, um curso interrompido pelo serviço militar. Posteriormente, trabalhou em Milão enquanto vitrinista e assistente de compras na loja de departamentos La Rinascente — à semelhança de uma Harrod’s em Londres e das Galeries Lafayette em Paris.

Mais tarde, já na década de 60, começa a trabalhar como designer para a linha masculina da marca Nino Cerutti, cargo que ocupa durante os próximos seis anos. Segue-se trabalho de freelancer e um sucesso relativo que faz com que Armani decida inaugurar a sua própria griffe com a ajuda de um amigo, Sergio Galeotti, que até morrer — vítima de leucemia em 1985 — assume a parte administrativa do negócio.

O estilo de Armani ganha projeção à escala global quando este desenha o guarda-roupa de Richard Gere no filme de sucesso “American Gigolo” de 1980, entrando de vez no domínio das celebridades. Segue-se a produção de looks para a série de televisão “Miami Vice”, transmitida entre 1984 e 1989.

O relacionamento com celebridades ganha força nas décadas de 1980 e 1990, depois de a marca vestir atores como John Travolta, Jodie Foster ou Julia Roberts — esta recebe um Globo de Ouro em janeiro de 1990 vestindo Armani — mas a primeira celebridade a usar roupa da marca na passadeira vermelha foi mesmo Diane Keaton, em 1978, ano em que conquistou o Óscar de melhor atriz pela sua performance em “Annie Hall”. A relação mais afincada é mesmo com a atriz australiana Cate Blanchett, que no ano passado tornou-se na primeira embaixadora global da Giorgio Armani Beauty.

Elegância e simplicidade são duas características associadas ao estilo de Armani que, introduzido no mercado norte-americano, tornou-se símbolo de desejo dos homens, escreve a brasileira Metrópole, também por ocasião do 85.º aniversário do designer. As roupas por ele criadas sempre se distinguiram das de outros designers italianos como Roberto Cavalli e Gianni Versace.

A vasta fortuna de Giorgio Armani não se concentra apenas nas linhas de roupas, uma vez que o designer alcançou, ao longo dos anos, outras áreas de negócio, de acessórios e perfumes a restaurantes e hotéis. Ainda não se conhece o sucessor da marca, mas sabe-se que serão os sobrinhos do designer a herdar o seu património, uma vez que ele não tem filhos.

Talvez já a pensar no futuro, o italiano criou em 2016 uma fundação para ajudar a tomar conta da empresa na sua ausência. Por enquanto, Armani continua aos comandos do sonho que criou.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: acmarques@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)