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Wimbledon

Eliminou o futuro, afastou o passado e ganhou um presente: Simona Halep vence Serena Williams na final de Wimbledon

Depois da vitória em Roland Garros em 2018, Simona Halep ultrapassou Azarenka, eliminou a surpresa Cori Gauff e conquistou Wimbledon após derrotar na final a rainha dos Grand Slams, Serena Williams.

Simona Halep reconheceu no final do encontro que durou apenas 56 minutos que terá sido uma das melhores exibições da carreira

Getty Images

“Aos 17, ganhei o meu primeiro Grand Slam e sabia que havia mais em mim. De facto, estava de tal forma certa que quando arrumei a minha vida e deixei a casa do meu pai para ir viver com a minha irmã Venus, disse-lhe que podia ficar com o meu troféu do US Open. Não te preocupes, garanti. Vou ganhar outro para a minha casa. Isso é que era confiança. E acabei por ganhar o US Open não uma nem duas mas seis vezes mais.

Desde aquela vitória em 1999, ganhei 23 títulos do Grand Slam, em 39 Grand Slams no total, e inúmeras medalhas de ouro. Andei a perguntar o que me mantinha motivada para jogar ténis. Para mim, a resposta é simples: eu adoro este desporto. Quando estou a fazer discursos, digo sempre como é importante amar o que se faz. Se não for assim, tenta encontrar algo que fale por ti. Segue a tua paixão. Mas claro, há alturas onde amar o ténis é difícil (…)”.

O artigo de opinião publicado esta semana por Serena Williams na revista Harper’s Bazaar tinha um arranque mais generalista antes de entrar no assunto a que mais parágrafos dedicou: a polémica final do último US Open frente a Naomi Osaka, que ficou marcada pela altercação verbal que teve com o árbitro português Carlos Ramos. A americana não mais esqueceu esse dia. Depois de ganhar o Open da Austrália, foi mãe, teve complicações pós parto incluindo um início de embolia pulmonar, demorou até voltar a agarrar na raqueta, recuperou a forma, voltou a finais do Grand Slam mas é esse momento que continua marcado, mesmo numa parte final da carreira em que está apenas a um Major de igualar o registo de Margaret Court.

“Senti-me derrotada e desrespeitada pelo desporto que amo, aquele ao qual dediquei a minha vida, aquele que a minha família mudou. Não porque nele fôssemos bem-vindos, mas porque não conseguimos parar de ganhar. Depois do US Open, voltei a casa na Flórida. Todas as noites, sempre que tentava dormir, as questões não resolvidas passavam pela minha mente em loop: como é que me podes ter tirado um jogo numa final do Grand Slam? A sério, como é que podes tirar um jogo a alguém em qualquer altura, em qualquer torneio? (…) Porque é que não posso expressar as minhas frustrações como toda a gente? Se eu fosse um homem, estaria nesta situação? O que me torna diferente? Ser mulher?”, comentou, antes de admitir que procurou um psicólogo para encontrar respostas e que ligou a Naomi Osaka a pedir desculpa por lhe ter retirado os holofotes.

Cerca de dez meses depois desse episódio, Serena Williams concluiu da melhor forma duas semanas ao melhor nível com a presença na final de Wimbledon. Este era o momento da americana. Mas o ténis não é propriamente um desporto que se jogue sozinho. A americana, de 37 anos, acusou a pressão, cometeu inúmeros erros não forçados e fez o encontro menos conseguido desta edição. Ainda assim, o grande mérito deste encontro decisivo pertenceu à romena Simona Halep. A mesma que afastou antigas campeãs, eliminou a grande surpresa da competição e fechou com chave de ouro frente a Serena com duplo 6-2.

Depois de já ter afastado Viktoria Azarenka, vencedora do Open da Austrália em 2012 e 2013, e Cori Gauff, americana de 15 anos que foi a grande surpresa do torneio ao chegar à segunda semana do torneio após derrotar jogadoras como Venus Williams (a sua grande referência a par de Serena), Halep não deu hipóteses a Elena Svitolina nas meias-finais e coroou duas semanas de sonho com um triunfo sem hipóteses frente a Serena Williams, que se começou a desenhar num 4-0 no primeiro jogo e que ficou quase “carimbado” depois de ter alcançado o break no segundo set que fez o 3-2, tornando-se a quarta jogadora diferente a ganhar Wimbledon nos últimos quatro anos depois de Serena Williams (2016), Garbiñe Muguruza (2017) e Angelique Kerber (2018).

Depois de ter ganho Roland Garros em 2018, Simona Halep, fã de Justine Henin e inspirada por Roger Federer, não passou da quarta ronda em nenhum dos três Grand Slams que se seguiram (Wimbledon, US Open e Open da Austrália), caiu nos quartos do torneio francês este ano e conquistou agora o segundo Grand Slam da carreira. “Era o sonho da minha mãe. Ela sempre disse que se quisesse ser alguém no ténis teria de jogar a final de Wimbledon. Hoje, esse dia chegou”, comentou no final a romena que, em várias entrevistas, revelou sempre a admiração pela família e pelo esforço que fizeram para lhe darem as melhores condições.

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