O cabeça-de-lista da Iniciativa Liberal às legislativas por Lisboa, João Cotrim de Figueiredo, assumiu esta terça-feira que o partido “teria um bom resultado se elegesse um deputado e um ótimo resultado se elegesse dois”.

Em entrevista na manhã desta segunda-feira à Rádio Observador, no programa Direto ao Assunto, Cotrim de Figueiredo admitiu que o partido, fundado em 2017, não está “satisfeito com o resultado” da estreia eleitoral — nas europeias, em que obteve 0,88% dos votos —, mas diz-se “encorajado” para as próximas eleições.

“A Iniciativa Liberal tem um ano e pouco de existência e foi a primeira vez que se apresentou a eleições nacionais, nas europeias. Se olharmos para os últimos 20 anos de história eleitoral, só houve um partido que teve na sua estreia eleitoral — sem a cobertura mediática, sem vir com uma figura de proa mediática — mais votos do que a Iniciativa Liberal, que foi o PAN”, afirmou o ex-diretor-geral da TVI e ex-presidente do Turismo de Portugal.

“E o PAN já tinha nas suas redes sociais uma associação que foi construindo ao longo de vários anos um séquito de seguidores bastante significativo. Portanto, não estando satisfeitos com o resultado, que seria impossível estar, estamos encorajados com os resultados. As nossas análises finas sobre o que foi conseguido em maio indicam-nos que é possível crescer”, acrescentou.

Para o candidato, é a “falta de ideais liberais na política” que está por trás da degradação das condições de vida das novas gerações. “Esta geração, dos meus filhos, dos amigos dos meus filhos, com quem eu falo muito, vão ter muito menos oportunidades do que eu tive quando comecei a minha vida profissional. Isso é uma coisa que me choca profundamente. A minha geração não ter sido capaz de criar as condições para que eles continuassem aquilo que se pode chamar um processo medido pelas oportunidades que as pessoas têm”, lamentou.

João Cotrim de Figueiredo diz que há atualmente em Portugal “uma expectativa de que o Estado intervenha em tudo que os cidadãos tenham a necessidade de ver resolvido” — e contrapõe a isto as ideias da Iniciativa Liberal.

“O Estado deve garantir tudo o que a livre associação das pessoas, nos mercados, nas comunidades, no que seja, não resolva. As matérias de soberania, essas são óbvias, a administração da justiça, e mesmo todas aquelas prestações de serviços que aqueles que não são capazes, por si só, por uma circunstância ou pela sua natureza, de resolver, consigam ter acesso a esses serviços. O Liberalismo moderno não é uma espécie de lei da selva”, assegurou.

Entre as principais ideias do partido para as eleições de outubro está a proposta de criação de uma taxa única de IRS de 15%. “Não é só uma medida de desagravamento fiscal. É uma medida também de simplificação fiscal”, assegurou Cotrim de Figueiredo, sublinhando que o país “deve estar preparado para a discussão deste tipo de propostas”.

Recusando identificar o partido como sendo estritamente de esquerda ou de direita — porque, defende, a política transcende essa dicotomia —, João Cotrim de Figueiredo assumiu que está “muito mais à vontade sentado ao lado da direita do que ao lado da esquerda”.

“Mas por um mero motivo, não é por nenhum apartheid intelectual, é que há à esquerda muito mais frequência de opiniões estatizantes e coletivistas, de encarar as coisas como fenómenos de grupo, uma espécie de neo-marxismo que aparece aí com frequência, em que não há indivíduos, não há pessoas, há grupos com interesses ou características comuns, e isso basta para caracterizar a pessoa”, argumentou.

João Cotrim de Figueiredo vai ser o cabeça-de-lista da Iniciativa Liberal pelo círculo de Lisboa. O líder do partido, Carlos Guimarães Pinto, será cabeça-de-lista pelo Porto.