Se a Williams Advanced Engineering é chamada a dar uma mãozinha a um construtor automóvel, devemos esperar algo de bom. Mas, neste caso, até as melhores expectativas se vêem ultrapassadas pela realidade, pois a Lotus conseguiu, de uma assentada, estrear-se na mobilidade 100% eléctrica e logo apresentando aquele que será o mais potente hiperdesportivo homologado para circular em estrada: o Evija.

Se pensava que os 1000 cv do Mercedes-AMG One são uma brutalidade só superada pelos 1176 cv do Aston Martin Valkyrie, então, o que dizer dos 2000 cv anunciados pelo Lotus Evija? Trata-se de uma potência bestial, para mais coroada com um grau de exclusividade superior ao One e ao Valkyrie, pois se a Mercedes-AMG vai produzir 275 exemplares e a Aston Martin não mais do que 150, a Lotus compromete-se a encerrar o fabrico do Evija ao fim de 130 unidades. Com uma vantagem: os alemães terão exigido cerca de 2,4 milhões de euros por cada One, ao passo que a Aston Martin fixou o preço do Valkyrie na casa dos 2,8 milhões de euros. Sucede que, por cada Evija, a Lotus pede “apenas” 1,9 milhões de euros. Os potenciais interessados em fazer negócio com o fabricante de Hethel, controlado pelos chineses da Geely, só têm de garantir lugar na shortlist de compradores com um depósito prévio a rondar os 280 mil euros (250.000 libras, o correspondente a 276.815€ à cotação de hoje).

Se nos concentrarmos nos hipercarros puramente eléctricos, concluímos que o Evija ousa desafiar quem já está no mercado há algum tempo e, para mais, quem já deu provas de fazer aquilo que promete: a Rimac. Os croatas começaram por surpreender com o Concept One e depois vieram “esticar a corda” com o C_Two, apresentado o ano passado no Salão de Genebra. Estamos a falar de um desportivo com quatro motores eléctricos, um por roda, que oferece uma potência combinada de 1914 cv e 2300 Nm! A fazer as “despesas” da locomoção está uma bateria com 120 kWh de capacidade, arrefecida a líquido.

A Lotus também deita mão a quatro motores eléctricos que, no conjunto, debitarão 2000 cv e 1700 Nm. Os britânicos não revelam a capacidade da bateria, apenas adiantam que se encontra na parte central do veículo e que permitirá percorrer 400 km com uma só carga. Sucede que aventam a hipótese de recarregar a 800 kW, no que é uma novidade absoluta, ainda nem sequer disponível comercialmente. Alegadamente, num ponto de recarga desse tipo, a bateria do Evija ficaria em pleno ao fim de escassos 9 minutos. Em contrapartida, num posto a 350 kW – os mais avançados até ao momento –, será possível recuperar toda a capacidade da bateria em 18 minutos ou 80% em 12 minutos.

Certo é que, com mais potência mas menos binário, o Lotus perde para o C_Two na comparação de prestações, pois o superdesportivo inglês estabelece a fasquia dos 0 a 100 km/h em menos de 3 segundos, enquanto o Rimac demora 1,97 segundos a passar por essa barreira. Depois, o Evija diz-se capaz de superar os 320 km/h, enquanto o C_Two garante 412 km/h de velocidade máxima.

Resta aguardar que as promessas superem a fase de testes e se venham a concretizar, pois é suposto que a produção arranque já para o ano.