David Coulthard, ex-piloto de Fórmula 1 que hoje pode ser visto a comentar a disciplina máxima do desporto automóvel para a televisão, nunca se sagrou campeão mundial de F1. Participou em 247 Grandes Prémios (GP), durante os quais venceu apenas em 13 ocasiões (a primeira das quais no GP de Portugal, em 1995), e sempre foi extremamente popular. Segundo ele, numa recente entrevista à Goodwood Road and Racing, foi mesmo esse relacionamento agradável com todos os intervenientes na F1 que lhe permitiu manter excelentes relações com a Mercedes e a Red Bull. A ponto de conseguir ser dos poucos a garantir um dos novos Mercedes AMG One e Aston Martin Valkyrie.

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É claro que se o leitor tiver formação na área financeira, ou veia de contabilista, pode ficar horrorizado com o facto de o ex-piloto e actual comentador ter despendido cerca de 2,8 milhões de euros no Valkyrie e 2,4 milhões de euros no AMG One. Mas depois de ultrapassar o choque inicial, vai poder apreciar aquilo que interessa: Coulthard vai ser, quando lhe entregarem os dois brinquedos (o Aston Martin ainda este ano e o AMG One em 2020), proprietário dos dois hiperdesportivos mais eficazes da história. São ambos leves, muito sofisticados aerodinamicamente, com soluções herdadas dos F1 e potentes, com o AMG One a prometer mais de 1.000 cv e o Valkyrie 1.176 cv.

Não estamos a falar de velocidade máxima (apesar do Valkyrie passar os 400 km/h) ou necessariamente rapidez na aceleração de 0-100 km/h (onde ambos deverão ficar abaixo dos 3 segundos). A eficácia aqui é a curvar, a travar e acelerar em estrada e em pista, onde nada que exista no mercado deverá conseguir ser tão rápido numa volta cronometrada a um circuito.

David Coulthard confessa que quis adquirir o Valkyrie sobretudo porque é fã do trabalho de Adrian Newey, desde que ambos estiveram na McLaren, e o AMG One porque se considera um homem da Mercedes. E depois há a questão da exclusividade, pois se vão ser fabricadas 275 unidades do One, do Valkyrie vão somente ser produzidos 150 exemplares.

Em termos mecânicos, ambos os hiperdesportivos são híbridos, tal como os F1 actuais, com o Mercedes a levar a herança mais à letra, pois até monta o 1.6 turbo de quatro cilindros com cerca de 700 cv (os restantes 300 cv são fornecidos por motores eléctricos). A Aston Martin optou por encomendar à Cosworth, que produziu os motores V8 3.0 e 3.5 que durante anos animaram a F1, um motor que tem muito mais de competição do que de série. Trata-se de um 6.5 V12 atmosférico com 1.000 cv, capaz de atingir 11.100 rotações, brutal num motor desta dimensão. Digamos que se Coulthard investiu muito, cerca de 5,2 milhões de euros, a verdade é que fica muito bem servido com as duas obras de arte que, em breve, vai ter na garagem.