“O problema mais grave que as Forças Armadas têm é a falta de recursos humanos, mas com os que temos vamos cumprindo as missões”, diz o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) em entrevista à Renascença e ao Público. Há pouco mais de um ano no cargo, o almirante Silva Ribeiro fala numa situação “insustentável” vivida nas Forças Armadas, cuja falta de recursos humanos faz com que os militares ao serviço façam um “esforço tremendo”.

O CEMGFA refere que a falta de recursos humanos — as Forças Armadas contam com 26 mil efetivos ao invés dos 32 mil que “deveria” ter — faz com que os militares tenham de repetir missões, sendo que o tempo de descanso é curto. “Quando se vai para uma operação destas de combate o stress psicológico nos nossos militares é tremendo e não se pode estar a dar apenas seis meses ou um ano de intervalo, tem de se dar mais. É por isso que muitos abdicam da sua carreira militar, sobretudo os contratados. Isto é insustentável.”

Silva Ribeiro garante que tem “alertado” o Governo para “esta situação de redução dos efetivos das Forças Armadas” e fala em “desequilíbrio”, tendo em conta as missões a cumprir e os meios humanos para o fazer, referindo-se a uma realidade dos efetivos “absolutamente insuficiente”:

Recentemente a um pedido da Proteção Civil dissemos que não tínhamos mais militares para empregar. A Força Aérea já tem problemas para a disponibilidade de pessoal para a manutenção dos seus meios e para a própria vigilância e segurança das unidades. A Marinha tem navios que não têm lotações completas, o Exército tem regimentos que deviam ter 360 praças e têm 100, 120. Este é o problema mais premente das Forças Armadas. Estamos profundamente empenhados em inverter esta situação.

Para o atual Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas a polémica em torno de Tancos revelou precisamente a falta de recursos humanos: estão em falta 4.100 praças no Exército, 535 na Marinha e 950 na Força Aérea. Em causa está também uma questão de vencimentos, com Silva Ribeiro a assinalar a “discrepância entre o de uma praça do quadro permanente e um agente da PSP ou guarda da GNR” que, na mesma categoria, figura em quase 400 euros. “Além disso, há outras questões, as infra-estruturas, os alojamentos, estão degradadas e os jovens não estão dispostos a viver em instalações daquelas”, conclui.