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Riscos para a economia estão “cada vez piores”. BCE prepara caminho para novos estímulos monetários

Banco Central Europeu decidiu deixar as suas taxas de juro inalteradas, em mínimos que se mantêm desde março de 2016, e preparou caminho para anunciar novos estímulos em setembro.

Taxa de juro aplicada às principais operações de refinanciamento mantém-se em zero, a taxa de facilidade permanente de cedência de liquidez fica em 0,25% e a taxa de facilidade permante de depósito continua negativa, em -0,40%

AFP/Getty Images

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  • Agência Lusa
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O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta quinta-feira que decidiu deixar as suas taxas de juro inalteradas, em mínimos que se mantêm desde março de 2016. Mas ficou claro, na conferência de imprensa do presidente Mario Draghi (uma das últimas antes de entregar a liderança a Christine Lagarde), que a autoridade monetária está disponível para lançar novos estímulos monetários, já que as perspetivas na economia estão “cada vez piores”.

No comunicado divulgado após a reunião de política monetária realizada nesta quinta-feira em Frankfurt, a instituição assinala esperar que as taxas se mantenham nos níveis atuais ou em níveis “mais baixos” durante a primeira metade de 2020 ou enquanto for necessário para assegurar uma convergência da inflação, o que pode indiciar um futuro corte nas taxas.

Por agora, a taxa de juro aplicada às principais operações de refinanciamento mantém-se em zero, a taxa de facilidade permanente de cedência de liquidez fica em 0,25% e a taxa de facilidade permanente de depósito continua negativa, em -0,40%. Ou seja, os bancos continuam a ter um custo quando colocam excessos de liquidez no banco central, um estímulo a que os bancos deem mais crédito à economia e, ao mesmo tempo, uma forma de garantir que as taxas de juro no mercado continuam baixas.

Os novos estímulos podem chegar, já, na próxima reunião do BCE — em setembro — e Mario Draghi reconheceu que entre as medidas possíveis que estão a ser estudadas está um novo programa de intervenção nos mercados de títulos. Retomar as compras de dívida, em moldes iguais ou diferentes do programa que correu entre 2015 e 2018, justifica-se porque as perspetivas para a economia “estão a ficar cada vez piores, sobretudo na indústria e nos países onde a indústria é muito importante”.

Com a economia a perder fulgor — o que será, em parte, um efeito cíclico mas, também, o resultado das tensões comerciais, geopolíticas e de fatores de incerteza como o Brexit — a taxa de inflação na zona euro continua demasiado baixa. “Na questão da inflação, não estamos a gostar do que estamos a ver”, disse Mario Draghi, sublinhando que este é um fator “muito importante”.

“O Conselho do BCE encarregou as comissões (técnicas) relevantes de examinar as opções que existem, incluindo formas de reforçar o compromisso futuro com as taxas de juro e medidas de mitigação como a conceção de um sistema segmentado de remuneração de reservas [isto é, mexidas na taxa de depósitos], e opções no âmbito da dimensão e composição de um eventual novo programa de compra de ativos”, afirmou Mario Draghi.

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