O que fazer para sobreviver à greve dos motoristas, segundo a DECO

Abastecer, ter cuidado com os jerricãs, usar transportes, trabalhar de casa e comprar comida. A DECO respondeu a Pedro Nuno Santos com 5 dicas sobre como o país se deve "precaver" para a greve.

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ANDRÉ KOSTERS/LUSA

ANDRÉ KOSTERS/LUSA

A DECO publicou um “manual de sobrevivência para a crise dos combustíveis” depois de as negociações entre os sindicatos e ANTRAM terem falhado, e de os motoristas de matérias perigosas terem recusado desconvocar a greve em troca de um novo contrato coletivo de trabalho. Segundo esta organização, os conselhos surgem a propósito do apelo de Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, que pediu aos portugueses para se precaverem antes de 12 de agosto. Eis as cinco dicas da DECO.

Abastecer o carro

E usá-lo com peso e medida

A organização de defesa do consumidor aconselha os portugueses a atestarem o carro “dois a três dias antes do início da greve”. Quando já tiver o depósito cheio, utilize o automóvel “apenas para as deslocações indispensáveis e procure fazer uma condução eficiente, para gastar menos combustível”, acrescenta a DECO. Se vai viajar — a greve acontece numa mudança de quinzena em pleno verão, altura em que os portugueses tipicamente vão ou regressam de férias –, planeie as deslocações com um GPS ou uma calculadora de rotas para “prever o gasto de combustível”.

Se o Governo declarar uma crise energética, alguns postos serão obrigados a manter determinadas reservas de combustível. Esses postos fazem partes da Rede Estratégica de Postos de Abastecimento (REPA). Utilize o quadro aqui em baixo para saber onde pode abastecer o seu carro. Basta procurar por distrito, concelho ou freguesia para encontrar os postos aos quais pode dirigir-se caso precise de abastecer.

Não utilize jerricãs

Mas se tiver mesmo de ser…

A DECO “desaconselha os consumidores a recorrerem aos jerricãs para enfrentar a crise dos combustíveis”, por serem “perigosos” e por estarem sujeitos a várias “limitações legais”. Mas se, ainda assim, escolher usá-los, lembre-se que “os jerricãs para transportar combustível devem ser homologados para essa finalidade”: “Não podem ser usados outros recipientes”, recorda a DECO.

Além disso, tenha em conta que há limites para transportar jerricãs num carro particular. O máximo são 60 litros por recipiente. Segundo a organização, quem exceder esse limite de combustível nos jerricãs arrisca-se a uma coima entre 750 e 2.250 euros ou, no caso de pessoas coletivas, de entre 1.500 e 4.500 euros.

Há outra regra a que deve estar atento: “É proibido, devido ao risco de libertação de vapores e inflamação, armazenar nas arrecadações dos prédios combustíveis líquidos, tais como gasolina. Caso detete um forte cheiro a combustível, deve contactar as autoridades policiais, uma vez que o risco de incêndio é real”, alerta a DECO. Se falhar estes termos pode ser punido com uma coima de 275 euros a 2.750 euros para pessoas singulares; ou com coimas de até 27.500 euros no caso de pessoa coletiva.

Utilize os transportes públicos

Ou peça boleias aos amigos

Para a DECO é “pouco provável” que os transportes públicos sejam afetados por uma crise de combustíveis, já que “a proposta de serviços mínimos dos sindicatos que convocaram a greve inclui o abastecimento destes serviços”. Sendo assim, para poupar o combustível que tem no carro, utilize a Rede Expressos, os Comboios de Portugal, autocarros e metropolitanos. Aproveite a oportunidade para instalar aquelas aplicações que indicam aos peões quais são os melhores meios de transporte para chegar a determinados locais — como o Google Maps.

Caso pretenda viajar, pode sempre procurar boleias para o seu destino nas páginas de carpooling como o BlaBlaCar, Via Verde Boleias e Boleia.net — plataformas que “põem em contacto condutores e passageiros que pretendem viajar para o mesmo destino”. Se quiser ficar dentro da cidade, escolha as bicicletas, as scooters, as trotinetes ou os carros elétricos para se movimentar.

Trabalhe a partir de casa

E planeie as suas consultas

Segundo a DECO, nenhuma entidade patronal está obrigada a aceitar uma falta por causa de uma greve, mas ainda assim a organização aconselha a negociar essa possibilidade com a empresa onde trabalha: “Se não está de férias durante o período da greve e se a sua atividade pode ser desempenhada à distância, tente negociar com a entidade patronal a possibilidade de trabalhar em casa”. Ou então “pode tentar tirar alguns dias de férias ou compensar as horas daqueles dias de ausência noutras datas”, sugere.

Na área da saúde, as deslocações em casos de urgência estão asseguradas nos serviços mínimos. Mas se tiver alguma consulta marcada enquanto durar a greve dos motoristas, o melhor é “tentar remarcar para outra data”. Além disso, “se estiver a tomar alguma medicação cuja embalagem esteja a terminar perto da data da greve, garanta uma embalagem a mais do medicamento”.

Vá às compras

E escolha alimentos com datas de validade grandes

Assim como deve abastecer o carro uns dias antes da greve, o melhor é abastecer também a despensa e o frigorífico para que nada falte enquanto a paralisação não for cancelada. “Aposte em produtos com uma duração mais alargada, para evitar o desperdício de alimentos. Se comprar produtos frescos, como verduras e fruta, deve consumi-los em primeiro lugar, para não se estragarem. É ainda possível comprar carne e legumes em quantidades acima do habitual, para congelar”, conclui a DECO.

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