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“O interesse nacional nunca tira férias”. Governo admite outras medidas caso seja necessário

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O primeiro-ministro garantiu que o Governo tudo tem “feito para que a greve não se concretize” e, caso os serviços mínimos não sejam cumprimos, serão adotadas "as medidas necessárias”.

António Costa prestou declarações após a reunião de emergência realizada no Palácio de São Bento

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O primeiro-ministro, António Costa, garantiu este sábado, que o Governo não hesitará em exercer as “competências próprias”, adotando outras medidas, caso a greve dos motoristas avance e os serviços mínimos fixados não sejam cumpridos. “Adotaremos as medidas necessárias”, frisou, no final da reunião de emergência de hoje, destinada a coordenar a resposta do Governo face aos efeitos da greve dos motoristas. “Estamos em condições de dar a resposta possível” em qualquer cenário, repetiu.

Só avançaremos para passos subsequentes se, quando e na medida em que seja estritamente necessário. Não daremos passos que agravem o conflito, mas não deixaremos de dar os passos necessários para evitar que o conflito tenha consequências inaceitáveis”, ressalvou António Costa.

Se tal não acontecer, “tudo está previsto para que, na hipótese de avançar a greve e não serem respeitados os serviços mínimos, o Estado tenha condições para assegurar a autoridade democrática e o cumprimento da lei”. “Se houver greve, se não forem cumpridos os serviços mínimos, adotaremos as medidas necessárias”, disse.

Questionado sobre se a mediação deste conflito lhe daria maioria absoluta nas eleições legislativas, Costa afastou essa intenção: “Não podemos ter considerações eleitorais quando está em causa a segurança das pessoas”. “O interesse nacional nunca tira férias”, garantiu.

Um Governo responsável tem de se preparar para o pior“, realçou o primeiro-ministro, que este sábado se reuniu em São Bento com os ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, da Administração Interna, Eduardo Cabrita, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, e do Ambiente e Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes.

O primeiro-ministro garantiu que o Governo tudo tem “feito para que a greve não se concretize”. “Ao Governo cabe assegurar os direitos dos portugueses”, disse, adiantando que espera “que os próximos dias possam devolver normalidade à vida dos portugueses”.

O Governo decretou serviços mínimos para a greve, entre 50% e 100%, depois de os sindicatos e a associação patronal não terem chegado a acordo. Portugal está, a partir de hoje e até às 23h59 de 21 de agosto, em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido à greve de motoristas.

A greve, que deverá arrancar na segunda-feira, por tempo indeterminado, foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) — sendo que este último já confirmou a intenção de greve em plenário realizado este sábado.

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