A secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas para a Diversidade Biológica, Cristiana Paşca Palmer, definiu como “extremamente preocupante” a situação na Amazónia. A floresta tropical está a arder há mais de duas semanas — e, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) citados pela revista brasileira Exame, só entre terça e quarta-feira desta semana surgiram mais de 1.500 novos focos de incêndio.

Em declarações ao jornal britânico The Guardian, Palmer aproveitou para reforçar que o que se passa na Amazónia deve servir de alerta para a humanidade face a uma crise ambiental mundial. “Os fogos na Amazónia servem de argumento para dizer que estamos a enfrentar uma crise muito séria”, afirmou a responsável. “Mas não é só a Amazónia. Também estamos preocupados com o que se passa noutras florestas e noutros ecossistemas, com uma degradação da natureza maior e mais rápida.”

O risco está no facto de estarmos a aproximarmo-nos de pontos de não-retorno dos quais os cientistas falam como podendo produzir colapsos em cascata de sistemas naturais”, acrescentou a responsável da ONU.

Sobre a proposta lançada no G7 pelo Presidente francês Emmanuel Macron, de enviar 20 milhões de dólares para ajudar o Brasil a combater estes fogos, Palmer também elogiou a decisão, destacando “o nível de atenção nunca antes visto” sobe a biodiversidade. “Espero que não seja um evento isolado no G7 e que continue à medida que avançamos e que possa inspirar uma corrida para o topo entre os líderes políticos.”

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já tinha demonstrado preocupação pela situação na Amazónia, destacando também a crise ambiental mundial. “No meio de uma crise climática global, não podemos dar-nos ao luxo de danificar uma grande fonte de oxigénio e biodiversidade”, escreveu.

Guterres sugeriu, também, que possa vir a ser organizada uma reunião específica sobre a Amazónia à margem da Assembleia Geral da ONU, marcada para setembro.