Existem 7,1 milhões de crianças refugiadas em idade escolar em todo o mundo. Dessas, 3,7 milhões não vão à escola. Os dados constam num relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) publicado esta quinta-feira e que revela que 52,1% das crianças refugiadas em idade escolar em todo o mundo não vão à escola.

A escola é o lugar onde os refugiados têm uma segunda oportunidade. Estamos a falhar para com os refugiados, não lhes dando a oportunidade de desenvolver as habilidades e conhecimentos necessários para que possam investir no seu futuro”, alertou Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

O relatório, “Stepping Up: Refugee Education in Crisis”, aponta ainda que, à medida que as crianças refugiadas ficam mais velhas, o acesso à educação tornar-se ainda mais difícil: apenas 63% das crianças refugiadas frequentam a escola primária — número que baixa para 24% quando se fala em educação secundária. Em comparação, em todo o mundo, 91% das crianças do mundo com idade para frequentar a escola primária, frequentam-na e 84% dos adolescentes recebem educação secundária.

O relatório aponta uma razão para a diminuição acentuada do número de matrículas de refugiados da escola primária para a secundária: falta de financiamento para a educação de refugiados. Neste sentido, o ACNUR deixa um apelo aos governos, ao setor privado e às organizações educacionais para apoiar financeiramente o ensino secundário para os adolescentes refugiados.

Precisamos de investir na educação para os refugiados ou pagar o preço de uma geração de crianças condenadas a crescer incapazes de viver de forma independente, encontrar um trabalho e contribuir em pleno para a comunidade”, alerta ainda Filippo Grandi.

No relatório pode ler-se ainda a importância que as Nações Unidas dão à inclusão dos refugiados nos sistemas de educação nacionais, em vez de ficarem “encurralados em escolas paralelas não oficiais”. “Isso vai permitir-lhes obter as qualificações necessárias que podem ser o trampolim para a universidade ou para um curso profissional”, lê-se no relatório, que revela neste sentido que mesmo que as crianças refugiadas consigam ultrapassar todas as barreiras e cheguem ao ensino secundário, apenas 3% seriam “sortudas o suficiente para conseguir um curso superior.”