Uma mulher morreu no estado norte-americano do Kansas por causa de complicações de saúde provocadas pela utilização de cigarros eletrónicos, confirmou esta terça-feira o Departamento de Saúde. A mulher tinha mais de 50 anos e já era seguida pelos médicos por outros problemas de saúde, mas piorou assim que começou a usar estes produtos. É a sexta morte relacionada com a utilização de cigarros eletrónicos nos Estados Unidos.

Lee Norman, membro do Departamento da Saúde e do Ambiente do estado do Kansas, confirmou à NBC News que “a paciente apresentava algumas doenças médicas subjacentes, mas nada que antecipava o facto de, uma semana depois de começar a usar o cigarro eletrónico pela primeira vez, começar a desenvolver a síndrome do desconforto respiratório agudo que lhe matou”. Segundo a especialista, os pulmões da mulher encheram-se de fluídos, provocando-lhe a morte.

Além das seis mortes relacionadas com a utilização de cigarros eletrónicos — as outras foram registadas nos estados de Illinois, Indiana, Oregon, Minnesota e Califórnia —, as autoridades estão a estudar outras 478 pessoas que desenvolveram complicações respiratórias à conta desses dispositivos. É um aumento de 28 casos em relação ao número avançada na sexta-feira pelo Centro de Controlo de Doenças (CDC) nos Estados Unidos.

Na semana passada, quando foi anunciada a terceira morte provocada pelos cigarros eletrónicos, as autoridades norte-americanas pediram para que a população deixasse de usar estes produtos enquanto decorrem as investigações em redor destes casos. “Embora não saibamos quais as substâncias prejudiciais, é importante que as pessoas saibam que, ao usar estes produtos, não sabem tudo sobre o que estão a inalar e os danos que isso pode provocar”, disse Kris Box, responsável pelo Departamento de Saúde do Indiana.

Os governadores norte-americanos já estão a reagir. A governadora do estado do Michigan, Gretchen Whitmer, decretou esta semana a proibição de venda de cigarros eletrónicos com sabores, acusando as empresas de publicidade enganosa, “para viciar crianças com a nicotina”. E ordenou que o Departamento de Saúde do Michigan emitisse regras de emergência para a venda de produtos com vapores de nicotina aromatizados.

Por norma ,os doentes queixam-se de falta de ar, tosse, dor no peito, episódios de vómitos, diarreias, fadiga, febre e perda de peso. A origem do problema pode ser o uso de óleos de produtos com THC, uma substância psicoativa da canábis. “Nós não ligamos nenhum desses ingredientes específicos aos casos atuais, mas sabemos que o aerossol emitido por estes cigarros não é inofensivo. Em alguns casos, isso pode ter ocorrido, mas agora estamos a monitorizar. Temos que continuar com a investigação”, explicou o Centro de Controlo de Doenças (CDC).