O Presidente chinês recorreu à filosofia da Grécia Antiga para passar uma mensagem ao homólogo norte-americano: “Não devemos cair na armadilha de Tucídides”. O antigo general ateniense teorizou que existe uma tendência para a guerra, quando uma potência nova emerge e ameaça substituir outra. Xi Jinping rejeita essa teoria nas Relações Internacionais e defende que a China deve colaborar com os Estados Unidos da América, coexistindo em “paz”. “Como disse muitas vezes, a China e os Estados Unidos, enquanto potências, ganham com a cooperação e perdem com o confronto.”

Num discurso na Casa Branca, durante uma visita oficial de três dias aos Estados Unidos, o líder chinês manteve um tom conciliatório e amistoso com Donald Trump. “Não precisamos de evitar a competição, mas deve ser saudável”, frisou, insistindo numa mensagem. As duas superpotências “devem manter a linha do não conflito e da não confrontação entre si”. “E podemos, com certeza, encontrar o caminho certo para que dois grandes países convivam neste planeta a que ambos chamamos lar.”

Antes do discurso do Presidente chinês, Donald Trump transmitiu uma mensagem idêntica, salientando a “amizade” que mantém com Xi Jinping. “Desde o tempo do primeiro mandato, em 2016, eu e o Presidente Xi criámos uma amizade, verdadeiramente uma grande amizade, à base de respeito mútuo e do interesse dos nossos povos”, afirmou. Longe vão os tempos em que o chefe de Estado norte-americano criticava duramente a China e acusava o país de estar a crescer economicamente à custa dos Estados Unidos.

Donald Trump considera que, atualmente, existe uma “relação comercial mais balanceada” entre as duas potências. Durante esta visita, o Presidente norte-americano assinalou, no discurso, que quer aprofundar as relações, de modo a “promover a paz e a prosperidade nas próximas décadas”. Para isso, serão discutidos “assuntos urgentes” relacionados com segurança, tecnologia e superinteligência [o termo que Trump usa para inteligência artificial]”.

“Estou confiante que há muito que podemos alcançar juntos”, sublinhou Donald Trump. Se o homólogo chinês recorreu à filosofia da Grécia antiga, o líder norte-americano lembrou uma altura na História em que Pequim e Washington estiveram do mesmo lado: a Segunda Guerra Mundial. “Lembrem-se da grandeza que partilhámos quando lutámos juntos na Segunda Guerra Mundial. Corajosos pilotos americanos voluntariaram-se para ir para a China e lutar pela própria sobrevivência de um país lendário.”

No entender de Xi Jinping, a China e os Estados Unidos devem manter um “diálogo cândido e profundo”, para que os dois países “se possam entender melhor” e para que possam “encontrar terreno comum”. O líder chinês concedeu que haverá “divergências” entre os dois países, mas deve haver “confiança” e “respeito” entre os dois. “Devemos cooperar com sinceridade. Os interesses da China e dos Estados Unidos estão profundamente interligados. Há muitas formas de trabalharmos juntos”, reiterou.

O Presidente chinês deu a entender que, na comunidade internacional, a China está no mesmo estatuto que os Estados Unidos. “A cooperação entre China e EUA pode não resolver todos os problemas, mas sem a nossa cooperação será difícil resolver muitos dos problemas do mundo”, disse. Na inteligência artificial (IA), por exemplo, Xi Jinping lembrou que os dois países lideram a corrida. “Temos quer a capacidade, quer a responsabilidade de levar a IA para o bem.”

Nesse sentido, Xi Jinping defendeu que a China e os Estados Unidos devem garantir que a IA “está sempre sob controlo humano e que sirva o bem-estar das pessoas”. Durante esta visita, os dois líderes deverão discutir uma forma de colaboração entre Pequim e Washington para regularem o uso e o desenvolvimento da inteligência artificial.

Como jeito de agradecimento pela visita, Xi Jinping endereçou um convite: abriu as portas a “100 mil jovens americanos” a visitarem a China para lá estudarem “nos próximos cinco anos”. O chefe de Estado mencionou também a iniciativa dos pandas chineses, indicando que dois animais vão nos próximos tempos para o jardim zoológico de Atlanta.

“Queridos amigos, rejuvenescer a nação chinesa e tornar a América Grande Outra Vez podem andar de mão em mão”, sublinhou Xi Jinping, concluindo: “Vamos avançar a causa da amizade entre os dois povos e trabalhar juntos para construirmos um mundo melhor”.

[Dois meses após o desaparecimento, e já depois de o genro, Raymond Quendoz, lhes ter anunciado que ia divorciar-se dela, os Silva Pais recebem finalmente notícias da filha. Annie está bem. Recusa dar detalhes sobre o seu paradeiro mas há cada vez mais evidências de que fugiu do marido para se juntar à revolução cubana. E, se isso aconteceu, uma coisa é certa: Annie tem de ter tido a ajuda e o aval do próprio Fidel Castro. Resta apenas saber porquê. Já pode ouvir o segundo episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]