A ministra da Saúde disse esta sexta-feira que “nunca esteve em causa” retirar a cirurgia geral da presença física no serviço de urgência do Hospital Garcia de Orta, em Almada, acrescentando que essa ideia seria “um absurdo”.

Vale a pena sublinhar que nunca esteve em causa por parte do Conselho de Administração, seria um absurdo uma ideia desse tipo e só posso entender que tenha havido qualquer má interpretação quanto ao retirar a cirurgia geral da resposta que é dada pelo hospital em termos de serviço de urgência”, vincou.

Marta Temido falava aos jornalistas à margem da apresentação do projeto “Reinventar os ACeS – Autonomia em Proximidade”, no Porto.

Em declarações à Lusa, o diretor clínico do hospital, no distrito de Setúbal, reconheceu alguns constrangimentos no último mês na cirurgia geral, com ausência inesperada de cinco profissionais, mas garante que as escalas na urgência estiveram sempre preenchidas.

Nunca esteve em cima da mesa e em momento algum a direção clínica ou o Conselho de Administração deu indicações para a cirurgia geral deixar de ter presença física nas 24 horas do serviço de urgência na composição das escalas”, disse à Lusa Nuno Marques, referindo que a prestação de cuidados de saúde à população não foi nunca posta em causa.

Sublinhando que os chefes de serviço que entregaram na quinta-feira uma carta de demissão à administração se mantêm em funções, o responsável disse que os motivos elencados por estes profissionais não são novos e têm vindo a ser alvo de diálogo.

A governante sublinhou que a normalidade não chegou a ser interrompida porque a escala de cirurgia geral, concretamente o banco desta sexta-feira, foi assegurado. Esta situação deve ser entendida como um “incidente” que, muitas vezes, é transportado para fora das instituições e que ganha uma expressão que não tem, afirmou.

“Admito que possa haver dificuldades relacionadas com a pressão do trabalho e dificuldades de comunicação e devem ser consideradas como isso mesmo, como incidentes que ocorrem e que, muitas vezes, são transportados para fora das instituições e que ganham expressão que não tem com todo o respeito que tenho pelos profissionais”, disse Marta Temido.

Catarina Martins “muito preocupada” com demissão de chefias no Hospital Garcia de Orta

A coordenadora do BE, Catarina Martins, afirmou esta sexta-feira estar “muito preocupada” com a demissão de 10 chefes de equipa de urgência do Hospital Garcia de Orta, defendendo que as administrações hospitalares devem poder contratar os médicos de que precisam.

Nós estamos muito preocupados com a situação do Garcia de Orta. É um hospital a que têm faltado muitos profissionais e que tem recorrido à prestação de serviços e, portanto, tem tido muita dificuldade em fazer as suas equipas”, disse Catarina Martins, que considerou o recurso a médicos em regime de prestação de serviços uma forma de privatização parcial do Serviço Nacional de Saúde.

“Para nós é absolutamente urgente que hospitais como o Garcia de Orta possam contratar, de forma permanente, os profissionais de que precisam — médicos e não só –, porque é a única forma de ter estabilidade nas equipas”, acrescentou a coordenadora do Bloco durante uma ação de pré-campanha eleitoral nas Festas da Moita, no distrito de Setúbal.

Catarina Martins adiantou que o BE vai pedir esclarecimentos sobre as demissões, mas sublinhou que o problema da falta de médicos no Hospital Garcia de Orta, em Almada, “já está diagnosticado há muito tempo”.

“Achamos que o que está a acontecer é sintoma de se estar a atrasar a necessidade absoluta de médicos. E estar sempre a recorrer a empresas de prestação de serviços quando faltam médicos é uma forma de ir privatizando partes do Serviço Nacional de Saúde, de o tornar mais desregrado, com menos coerência entre si, de o fragilizar”, disse.

Voltamos a chamar à atenção: há tantos hospitais deste país que estão à espera de autorização para contratar os médicos de que precisam”, frisou Catarina Martins.

Dez chefes de equipa de urgência do Hospital Garcia de Orta, em Almada, demitiram-se nesta quinta-feira, segundo a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI). “Hoje [quinta-feira] demitiram-se 10 chefes de equipa de urgência do Hospital Garcia de Orta e outros tantos internistas que exercem funções no Serviço de Urgência demitiram-se em bloco, em carta enviada ao Conselho de Administração”, refere a SPMI, em comunicado enviado às redações.

Contactado pela agência Lusa, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, confirmou que “os chefes de equipa de Medicina apresentaram a demissão por insuficiência de recursos humanos”.

Após o comunicado da SPMI, a dar conta das demissões, em nota enviada na noite de hoje à Lusa, o Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta refere que um grupo de chefes de equipa do Serviço de Urgência Geral enviou hoje “uma carta ao Conselho de Administração, alertando para alguns problemas internos inerentes” àquele serviço, na qual “também fazia referência à possibilidade de demissão”.