Depois da interrupção das ligas para os compromissos internacionais, Wolverhampton e Chelsea protagonizavam um encontro entre duas equipas que ainda não conseguiram atingir um bom momento de forma esta temporada. Se o conjunto orientado por Nuno Espírito Santo, à entrada para este jogo, ainda não tinha vencido na Premier League esta época, a verdade é que o grupo de Frank Lampard só tinha conquistado três pontos uma vez, desde que a liga inglesa arrancou.

A ausência de regularidade tornava-se este fim de semana ainda mais preocupante devido aos dias que se seguem para as duas equipas: as competições europeias, Liga dos Campeões e Liga Europa, arrancam já na próxima semana e se o Wolves vai ter de tentar gerir as boas indicações que deixou na Premier League na temporada passada com as ambições na Europa, também o Chelsea terá de cuidar com pinças de um plantel que parece demasiado curto para jogar de três em três dias. Tudo somado e a verdade é que tanto foxes como blues precisavam de uma vitória para tentar ganhar embalo para a primeira de várias semanas de ritmo exigente.

Nuno Espírito Santo não tinha, este sábado, o habitualmente titular Boly, que foi expulso na última jornada frente ao Everton, e lançava Jesús Vallejo no onze inicial — para lá de Rui Patrício, Rúben Neves e João Moutinho, que estiveram todos com a Seleção Nacional na última semana, e ainda Diogo Jota. Do outro lado, regressava Rüdiger, o central alemão que estava lesionado desde abril, que fazia parte da linha defensiva de três — que também incluía Christensen e Tomori e era a surpresa de Lampard para a visita ao Wolves (e que está igualmente relacionada com a ausência de Emerson, que se lesionou ao serviço da seleção italiana). Pulisic e Giroud eram suplentes, os jovens Mason Mount e Tammy Abraham mantinham a titularidade e Willian, que tem sido pouco utilizado neste início de temporada depois de ter sofrido uma lesão na Copa América, voltava ao onze inicial.

Os primeiros minutos da partida obrigaram o Wolves a jogar de uma forma algo incaracterística e que foge àquilo que é normalmente a linha de pensamento de Nuno Espírito Santo. Sempre mais confortáveis a oferecer a iniciativa ao adversário e a atacar em transição, normalmente em contra-ataque rápido, à procura de explorar superioridades numéricas, os foxes foram surpreendidos por um Chelsea que não se colocou, desde logo, muito subido no terreno e que preferiu esperar e estudar as movimentações do lado contrário. Ainda assim, sem grande caudal ofensivo e até pouco esclarecidos na hora do último passe, os blues só chegaram à primeira oportunidade já depois do primeiro quarto de hora, com Rüdiger a aparecer a cabecear ao lado depois de um canto (20′).

Confrontados com a organização defensiva montada por Frank Lampard, os Wolves tentavam penetrar principalmente a partir do corredor direito, sempre assentes na velocidade e na capacidade de explosão de Adama Traoré. A escassez de intervenção de Diogo Jota e Raúl Jiménez durante a primeira parte, porém, espelha as dificuldades da equipa de Nuno Espírito Santo em criar perigo junto da baliza de Kepa. O golo inaugural da partida acabou por surgir de forma inesperada, depois de um canto batido na direita e um corte de Diogo Jota que deixou a bola perdida à entrada da grande área; Tomori, com um bom remate, bateu Rui Patrício (31′) e colocou o Chelsea a ganhar no Moulineux. O golo desnorteou o Wolves e ofereceu confiança à equipa de Frank Lampard, que aumentou a vantagem logo três minutos depois (34′), com Tammy Abraham a aproveitar o trabalho individual de Mason Mount para rodar dentro da grande área e marcar pela terceira jornada consecutiva.

O Wolverhampton, que não perdia em casa desde janeiro — 17 jogos consecutivos para todas as competições sem sofrer qualquer derrota no próprio recinto –, procurou estender o jogo e passar o centro de ação para a zona da área do Chelsea, desmembrando-se no setor defensivo e agudizando as já notórias fragilidades defensivas. Foi nessa altura, já nos últimos cinco minutos do primeiro tempo, que Marcos Alonso cruzou para o centro da grande área de Rui Patrício e Abraham apareceu a surpreender Coady e a bisar (41′). A total ausência de pressão a Alonso, que fez o passe totalmente desmarcado e com a bola parada, quase como se fosse um livre, deixava perceber que o Wolves é cada vez mais uma equipa cuja eficácia defensiva não corresponde à qualidade ofensiva. Na ida para o intervalo, Nuno Espírito Santo perdia por três golos e começava a adivinhar-se a quinta jornada seguida dos Wolves sem ganhar.

Na segunda parte, o treinador português trocou Dendoncker por Cutrone e colocou o italiano a jogar em linha com Jota e Jiménez, favorecendo o setor atacante mas desprotegendo o meio-campo, onde Rúben Neves era agora obrigado a fazer dobras no corredor e deixava autênticas autoestradas para Kovacic e Jorginho explorarem. Foi assim que apareceu o quarto golo, logo aos dez minutos da segunda parte e numa altura em que o Wolverhampton procurava ter bola, mas ainda não tinha criado qualquer oportunidade: Tammy Abraham recebeu de Jorginho, nem sequer dominou de forma perfeita, aguentou a pressão de Coady, parou e colocou o pé em cima da bola — numa desaceleração, travagem e aceleração que fez lembrar Thierry Henry — e rematou na diagonal sem hipótese para Rui Patrício (55′), tornando-se o jogador mais novo de sempre a marcar um hat-trick pelo Chelsea.

O Wolves reduziu a desvantagem a pouco mais de 20 minutos do apito final, com Saiss a cabecear depois de um canto na direita (69′), e ainda chegou ao segundo golo por intermédio de Cutrone (85′), mas já não teve tempo para anular os quatro golos sofridos antes e Mason Mount ainda confirmou a goleada já no período de descontos (90+6′). A equipa de Nuno Espírito Santo continua sem ganhar na Premier League, perdeu pela primeira vez em casa, desde janeiro, e não conseguiu o tão necessário balão de oxigénio antes de receber o Sp. Braga na próxima quinta-feira, na primeira jornada da fase de grupos da Liga Europa.

Tammy Abraham assinou um hat-trick e é já o melhor marcador da Premier League, com mais um golo do que Sergio Agüero, e mostra cada vez mais que vai mesmo ser a opção primordial de Frank Lampard para o ataque, em detrimento do mais experiente Giroud. O avançado inglês, que recebeu insultos e ameaças quando falhou o penálti decisivo na Supertaça Europeia contra o Liverpool, disse há poucos dias que a mãe chorou quando soube que o filho estava a ser alvo de críticas e comentários racistas. Este sábado, a mãe de Tammy Abraham deve ter voltado a chorar — mas de alegria.