O Brent, petróleo de referência na Europa negociado em Londres, subiu quase 20% durante a noite passada na sessão eletrónica para 70 dólares por barril, depois dos ataques com drones contra duas refinarias sauditas terem reduzido em mais de 5% o fornecimento de petróleo a nível global. Esta foi a maior subida diária desde 1991, o ano da primeira Guerra do Golfo contra o Iraque. As cotações entretanto aliviaram do pico, mas os mercados continuam a absorver o impacto do ataque cirúrgico conduzido reivindicado pelos rebeldes do Iémen ao principal complexo petrolífero da Arábia Saudita, que é o maior exportador mundial.

O petróleo Brent para entrega em novembro estava ao final da tarde a subir mais de 14% para 68,4 dólares, no mercado de futuros de Londres, isto depois de ter corrigido em baixa a meio da sessão. Este ambiente volátil é a reação  aos ataques do fim de semana contra refinarias da Arábia Saudita. O barril de petróleo estava a subir mais de 8,6 dólares no International Exchange Futures (ICE) face ao fecho de sexta-feira, quando terminou a 60,23 dólares.

A Rússia afirmou que não prevê qualquer medida de emergência no âmbito da plataforma ampliada da OEP e outros produtores de petróleo (conhecida como OPEP+) devido ao atentado contra as instalações da petrolífera estatal saudita Aramco.

A petrolífera estatal Saudi Aramco, líder mundial, indicou que levará semanas a restabelecer as suas operações, fazendo temer graves consequências para o fornecimento de petróleo a nível mundial. Segundo a Aramco, os ataques, reivindicados pelos rebeldes iemenitas Huthis e que os Estados Unidos atribuem ao Irão, reduziram a produção de petróleo em cerca de 5,6 milhões de barris diários.

Perante as inquietações com a escalada dos preços, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a libertação de reservas de petróleo do seu país, caso seja necessário, para garantir o fornecimento mundial. Mas os americanos também estão a contribuir para a subida do clima de tensão na região e do nível de alerta nos mercados, ao responsabilizar diretamente o Irão pela ofensiva. Já esta segunda-feira, também a Arábia Saudita apontou o dedo na direção do seu rival no Médio Oriente, sinalizando que foram usadas armas iranianas nos ataques de sábado.

Também o regulador português do setor petrolífero, a ENSE, mostrou disponibilidade para libertar as reservas nacionais, em caso de falta de produto, mas esse não é para já o principal problema.

O maior sintoma sente-se mesmo nos preços do petróleo. O seu impacto no preço final dos combustíveis vai depender muito de quanto tempo durar esta pressão sobre as cotações internacionais. Em declarações aos jornalistas esta segunda-feira, o secretário-geral da APETRO (Associação das Empresas Petrolíferas), António Comprido desdramatizou o efeito, afirmando que não haverá nenhuma tragédia no preço dos combustíveis. Isto porque considera que a situação não será duradoura e irá esbater-se nos próximos dias.