Os ataques deste sábado às instalações petrolíferas na Arábia Saudita paralisaram metade de produção de petróleo do país que é um dos maiores produtores a nível mundial. Segundo a Saudi Aramco, os dez drones explosivos, que foram enviados pelo rebeldes iemenitas, atingiram o maior complexo de processamento do mundo, em Abqaiq, bem como o segundo principal campo petrolífero em Khurais.

Esta ação está a perturbar a produção saudita, com um corte de 5,7 milhões de barris diários, situação que deverá prolongar-se por 48 horas, pelo menos. A petrolífera saudita conta usar os stocks para evitar uma rutura no abastecimento ao mercado mundial de petróleo, mas os analistas admitem que os preços podem subir. Não tanto pelo efeito direto deste ataque, mas pela demonstração de como as instalações petrolíferas do país estão vulneráveis a ataques externos. Ainda que tenha existido uma “cooperação inteligente” com pessoas dentro do país, de acordo com a agência de notícias Saba, controlada pelos rebeldes do Iémen que reivindicaram o ataque.

Os rebeldes Houthi, com o alegado apoio do Irão, protagonizaram dezenas de ataques no último ano, com recurso a drones, mas os analistas citados pelo jornal inglês The Guardian destaca a ação deste sábado como a maior e mais vem sucedida ofensiva, apontando ainda para o nível elevado de sofisticação dos dispositivos usados. O local atingido é descrito como o coração da indústria petrolífera saudita, como nota Robert McNally, responsável da Rapidan Energy Group ao The Guardian.

“Abqaiq é talvez a instalação a mais crítica no circuito mundial de abastecimento de petróleo. Os preços vão saltar. Se a interrupção da produção se prolongar, uma libertação de reservas estratégicas por parte da Agência de Energia parece provável e sensata. No mínimo, o risco de uma escalada nas tensões regionais será suficiente para puxar os preços do petróleo ainda mais para cima.”

A aumentar ainda mais a tensão estão as acusações dos Estados Unidos de que o Irão está por trás da cerca de uma centena de ataques a território saudita, feitas através da conta de Twitter do secretário de Estado Mike Pompeo.

Esta posição suscitou já uma forte reação por parte das autoridades iranianas, a desmentir o envolvimento.

A Arábia Saudita é o segundo maior produtor de petróleo do mundo, ultrapassada apenas pelos Estados Unidos, mas como os norte-americanos são também os principais consumidores, os sauditas assumem o papel de principal exportador de crude.