A empresa Farfetch, fundada pelo português José Neves, enfrenta uma ação coletiva de investidores nos Estados Unidos por alegadas violações da lei federal de valores mobiliários, revelou a representante legal dos queixosos, Schall Law Firm. De acordo com o jornal Expresso, há pelo menos três queixas de três sociedades de advogados: a Hagens Berman, a Rosen Law e a Bragar Eagel & Squire.

Este tipo de ações é comum nos EUA, principalmente em casos de grandes perdas de capital por parte de empresas promissoras após a entrada em bolsa, como ocorreu com a Farfetch. Por exemplo, acusações como esta aconteceram mais do que uma vez com a Uber, como contava a Reuters em 2018, ou, mais recentemente, em março com a Lyft (concorrente da Uber nos EUA), como noticiou a CNBC.

De acordo com o que tem sido anunciado na comunicação social norte-americana, através da publicação de comunicados de imprensa pagos por estas sociedades de advogados, os representante dos investidores avançaram com uma ação coletiva contra a empresa Farfetch. A queixa pode levar a uma investigação que deve determinar se a empresa, que entrou na Bolsa de Nova Iorque há um ano, prestou declarações falsas ou enganadoras ou se falhou em divulgar informações pertinentes aos investidores.

Ao Observador, a Farfetch confirmou as acusações dizendo apenas que “não comenta processos que estão a decorrer”.

Estes anúncios para cativar possíveis investidores queixosos começaram a ser publicados no início de agosto após ter sido divulgado que a startup teve perdas de 89,6 milhões de dólares (cerca de 82 milhões de euros) no segundo trimestre de 2019, um valor maior do que o esperado pelos analistas. Em agosto, uma empresa de advogados norte-americana focada neste tipo de casos — a Holzer & Holzer, LLC — fez um destes anúncios na plataforma da GlobenewsWire, que divulga em bruto comunicados de imprensa. “Se comprou ações da Farfetch e sofreu uma perda com esse investimento, é recomendável entrar em contato”, incentivava esta firma.

Segundo o comunicado da Schall Law Firm, as queixas referem-se ao período da oferta inicial pública para a entrada na Bolsa de Nova Iorque, em setembro de 2018. De acordo com a queixa, a Farfetch prestou “declarações falsas e enganosas aos mercados” e não revelou que as operações de compra e venda online de artigos iriam “provavelmente” levar à “volatilidade dos preços dos bens de luxo”.

O texto detalha que, “de facto, as operações principais da empresa eram suscetíveis à pressão de preços” no mercado, pelo que a Farfetch “recorreu a aquisições agressivas para manter a lucratividade” e fez, desta forma, uma comunicação enganadora. “Quando o mercado soube a verdade sobre a Farfetch, os investidores sofreram prejuízos”, constata a acusação.

O escritório de advogados que avançou com a ação coletiva, Schall Law Firm, representa investidores internacionais e é especializado em processos no mercado de valores mobiliários.